Engraçado como as coisas acontecem.
Coloquei uma canção francesa para tocar e saí pela cidade a passear e ver as pessoas neste outono. E todas eram bem mais bonitas e mais amistosas e mais simpáticas enquanto tocava aquela canção. A cidade se enchia de cor, de beleza e tudo ficava melhor. Mas aqui dentro; aqui tem um coração que sofre por seus erros e chora por seus acertos. Um coração acostumado a ver a felicidade como algo distante e não é por causa desta distância que ele acredita que não exista a felicidade, apenas acredita que sua chegada depende de alguns acontecimentos que lhe prove o merecimento dessa glória final.
Ele ve seu amor nos braços de outra pessoa. Um outro alguém que não tem o cuidado que este amor merece, mas cada um tem seus próprios desafios e por isso aceitava e abraçava seu destino.
Agora cá estamos, olhando pela janela a cidade que não dorme, que chora e ri vinte e quatro horas por dia. O que devo fazer agora? Chorar ou rir?
5.20.2012
A cancao francesa
5.15.2012
Guerreiro
Uma coisa muito maluca me aconteceu.
Éramos dois estranhos, completos desconhecidos. E no desconhecimento nos
reconhecemos nas rusgas e lutas invisíveis. Éramos inimigos não declarados e
nossa batalha era por um troféu místico, etéreo.
Nos propuseram uma negociação para selar a paz comum. E nessa mesa debatemos
assuntos diversos. As cicatrizes de ambos foram expostas, as sangrias, as
lágrimas, os desejos. Nos conhecemos tanto e em tão pouco tempo, tão bem que o
improvável aconteceu: me apaixonei pelo meu inimigo.
O ódio virou amor, a luta virou defesa, a distância virou um algo próximo, o
campo de batalha virou nossa cama, os gritos de dor se tornaram suspiros de
prazer e alegria. A cabeça que outrora quisera empunhar nos braços erguidos,
hoje repouso sobre meu peito placidamente encontrando paz, carinho e guarida.
Meu inimigo, meu maior herói: te amo!
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