3.27.2013

Do Prazer de Cair


E assim as coisas vão caminhando. A gente se promete tanta coisa. A gente se jura tanta coisa no espelho. E acreditamos piamente que tudo será levado a cabo com direito a faixa em agradecimento pela graça alcançada. Mas a tal ventura pedida é resistir ao irresistível: o prazer de errar. Sim, prazer de errar mesmo. Todos temos uma vontade praticamente incontrolável de se jogar de cabeça nas pedras do precipício ao qual chamamos escolhas, entretanto sabermos de uma trilha que ladeia e nos leva ao fundo do vale em segurança. A segurança nos confronta com nossos desejos de aventura, de buscar o que há além da curva na estrada, atrás da montanha, e é engraçado pensar que somos tão apaixonados por essa ansiedade do novo tanto quanto o somos pela manutenção do velho, do atual, do status quo. E por acaso a gente se amedronta com essa jornada desbravadora? Jamais! Somos conquistadores, colecionadores de honrarias, de histórias; somos Colombo lançado no oceano. E assim partimos de nossos smartphones atrás de nossas conquistas, geolocalizada nas esquinas, roteirizadas pela sede do "eu posso", e podemos, embora não devamos. O rei nos mandou crescer, e para crescer é preciso ficar, estabelecer um porto, um lar, um ponto, mas a gente não é do ponto, a gente é da vírgula, do na outra linha, parágrafo, travessão. A gente coleciona histórias, conquistamos troféis de inconstância, de mudança.
Pensando bem tenho um pouco de dó dos que não podem ser ou estar separadamente; para estes, to be is the same thing. Que desventura ser e estar ao mesmo tempo, sem poder escolher estar aqui sendo outra coisa. Se você está, você é. Eu nem sempre estou o que sou e vice-versa, e é essa dualidade que me faz lançar-me do penhasco: estou voando, mas sou humano e bicho homem inteligente sabe que não voa. Estar é paixão, ser é amor.
O que acontece quando chego ao fundo do vale? Nada! Decepcionadamente nada! Apenas potencializa a vontade de achar um outro penhasco e dele me jogar novamente: gosto da sensação de não ter os pés no chão e quem não os tem fixados ao solo, invariavelmente cai. Você gosta de cair? Mas gosta do frio na barriga, certo? Com o tempo a gente aprende a cair se machucando cada vez menos. O problema é que estamos todos nós intrinsicamente ligados e não há queda solitária, pois sempre haverá quem caia conosco por estar ao nosso lado e se estabaca no chão, se rala, se fere e nos questiona o gosto por essa aventura perigosa.
Sim, sei que está pensando porque não aventurarmo-nos solitariamente sem trazer feridas a ninguém, mas o que nos aprisiona causa paixão em outras pessoas que não são tão aventureiras como somos, e pronto, mais uma vítima para o próximo vôo.
Já pulei demais, já andei demais, já machuquei demais. Continuo apaixonado pela aventura, mas a responsabilidade da ligação que temos nem sempre me permite continuar nesse caminho de loucos conscientes, até mesmo porque essa loucura consciente e ciente de seu modus operandi é para poucos; a grande maioria se joga sem saber nem mesmo o motivo de cairem ou sobre o que cairão.
Então por consideração estou com essa faca na mão e já vejo meu sangue escorrendo e me dói, não a asa, que não tenho - veja só que loucura - mas o corte dela, a abnegação da minha potencialidade e o farei em nome de seu sobrenome. Aventuras agora? Só em terra firme e na descoberta das grutas e cavernas da alma e de seus habitantes. Chega de voar por ai. Estou fazendo nosso ninho, nossa casa, seu lar. Mas saiba que embora eu não voe mais, nossos filhos herdarão essa vontade e a ela cederão. O que peço é envergadura moral para resistir à tentação, cujo maior problema não é existir em si mesma, mas poder ser a última oportunidade de aventura inata comigo e morta contigo.
Quer uma ironia oportuna ou coincidente? Enquanto escrevo essas linhas estou ouvindo "Fly me to the moon", entende?

3.12.2013

Cyberativismo e Cidadania Online


Há anos vem-se debatendo entre os profissionais de marketing e comunicação o que se cunhou chamar de "engajamento online" que é o poder de fazer as pessoas se envolverem ativamente numa ação online de uma marca ou instituição. O que esse engajamento online busca a principio, vai além de um "curtir": o que intenciona é o compartilhamento da informação 'curtida', ou seja, informação essa que já possui a aprovação, consentimento e apoio do indivíduo e a cada compartilhamento destas informações mais pessoas serão evangelizadas no sentido de também darem apoio ao que foi compartilhado, gerando assim uma saudável discussão de ideias entre estes amigos que curtiram/compartilharam a informação. Entretanto chegamos a um ponto crucial no marketing, o qual também está na tangente de todas as ações na internet que objetivam uma ação concreta por parte dos leitores: como fazer a conversa online se tornar uma ação offline?

Quanto aos anseios sociais e mudanças desejadas pelos cyberativistas, o que vemos no Brasil é uma tentativa de suceder a Primavera Árabe e o Occupy WallStreet, entretanto não temos uma geração direcionada e educada para cobrar os serviços e servidores públicos. As pessoas insistem em mobilizações online e se esquecem que nossa história é intrinsicamente ligada a manifestações populares de impacto social, tendo na sociedade seu palco e seus principais atores. A sociedade precisa se sentir representada pelas idéias destes grupos e petições para que maior número de indivíduos se organize na defesa de determinada intenção. Porém, como mobilizar uma sociedade onde poucos são os que tem acesso à internet mais básica (conexões discada e rádio) fora dos grandes centros e na qual os grandes veículos de comunicação adotam posições partidárias, muitas vezes inibindo a repercussão das ações do mundo online? Recentemente o caso Fora Renan foi um movimento que expôs ao brasileiro a necessidade de maior mobilização, educação, politização e reunião de forças capazes de serem trazidas para a discussão, vozes que tenham "apelo midiático", embora só este apelo não sirva como modelo de sucesso, vide caso "Belo Monte", onde atores da Rede Globo participaram da ação contra a construção da usina e acabou esbarrando na falta de entendimento do tema pela sociedade, confundindo os membros entrantes na discussão e ainda afastando alguns outros pelos mesmos motivos.

Com base no exposto vemos um caso saltar como divisor de águas: caso Marcos Feliciano. A repercussão do caso não se dá apenas pelas declarações polêmicas em si, mas por se reconhecer a sociedade geral como alvo das declarações vindas de um iminente defensor de seus direitos (minoria social que, reunida, é a maioria da população: não brancos, não evangélicos, para dizer o mínimo). Vimos que os próprios servidores se revoltaram com os caminhos que o mundo politico tomou como mesa de negociação de posições e verbas, além do próprio absurdo de se ter alguém abertamente contrário a uma série de conquistas importantes para essas minorias assistidas pelas decisões da CDH (nem trago à baila a nomeação de Blairo Maggi, Genoino e Paulo Cunha).

Como fazer mobilização online então?

  • através da educação dos próprios atores deste cyberativismo, debatendo entre estes os prós e contras que possam ser levantados no decorrer das discussões, seja com a sociedade ou com os governos e/ou empresas;
  • reconhecimento e engajamento de nomes fortes politicamente, economicamente e com posição de respeito entre as classes acadêmicas e pensantes da sociedade, afim de que estes façam bom uso do prestígio e reconhecimento social na intenção de que mais pessoas busquem informação sobre a discussão proposta;
  • recolhimento de dados de situações semelhantes que possam embasar as mudanças propostas nestas mobilizações, com apresentação de exemplos bem sucedidos e que sejam facilmente aplicados à sociedade e realidade brasileira;
  • trazer os próprios governantes para a esfera digital para que o maior número de pessoas tenha a possibilidade de acompanhar as discussões, a exemplo do que vem acontecendo em outros países. Essa “vinda” é algo quase obrigatório no atual movimento que faz a sociedade: estar off-line é desrespeitar e deixar de conversar com uma parte extremamente importante da sociedade.

Acreditando que adotando medidas como essas e promovendo um debate de fato entre os atores das mobilizações online, poderemos aprimorar, aumentar e melhorar a forma como nos reunimos, cobramos os governantes e até mesmo participamos ativamente da vida política local.

Como informação auxiliar, leiam o que disse o filósofo Pierre Lévy sobre o cyberativismo e como, de forma formalmente organizada, a sociedade vem conseguindo se fazer ouvir acima das vozes econômicas que comumente ditam os caminhos dos países e o comportamento da sociedade enquanto sua massa de manobra: http://blogs.estadao.com.br/link/pierre-levy-nao-sou-contra-o-ativismo-de-sofa/

1.15.2013

GATOS: OS MELHORES EXEMPLOS PARA O HOMEM


Dizem que os cães são os melhores amigos do homem. Certamente, quem o disse pôde ter querido fazer um paralelo em relação à semelhança de nosso comportamento e o mundo canino uma vez que nós, seres humanos somos muito parecidos com esses animaizinhos que rosnam e abanam o rabo para demonstrar determinados sentimentos, coisa que nós, humanos, não fazemos - por ausência de rabo -, porém rosnamos tanto quanto os cães.
O bicho homem, tal como o bicho cão, escolhe um dono para si, escolhe ser subserviente a alguém em troca de determinadas satisfações físicas e emocionais. Gostamos de brincar, gostamos de pegar nossa bolinha, gostamos de nossas vasilhas cheias de ração, enfim somos realmente muito parecidos com os cães. Quando gostamos de alguém lhes fazemos festa, deitamos, rolamos ao nosso modo da mesma forma que latimos, arranhamos e mordemos a quem nos ofende ou nos ameaça.
O que aprendemos com os cães tem a ver com lealdade, humildade e resiliência.
Já os gatos, são o homem em seu estado mais super-homem nietzschiamo. Os gatos tem tanto sentimento quanto os cães e os seres humanos, a diferença reside na maneira como os felinos externalizam seus sentimentos. Se  gato está em um ambiente que não lhe agrada ele mia em reprovação? Não! Ele simplesmente sai do local e vai buscar outro canto de paz. Gatos não são tão festeiros quanto os cães e nós. Eles não fazem questão de latir ou reclamar, sabiamente aceitam a inospitalidade do local e se retiram para terras mais aprazíveis sem shows ou escândalos salientando quão ruim é o lugar, afinal o mundo é grande o bastante para que haja outros lugares, afinal é pretensão demais querer que haja completa alegria exatamente onde, quando e como queremos. Os gatos já sabem disso.
Os gatos não reclamam da comida. Eles não a comem. Gatos não reclamam de mau humor. Eles lhe dão as costas. Gatos fazem o que querem, independente dos outros animais e do ambiente, mas respeitando os outros animais e o ambiente. Eles não modificam e nem intencionam essa modificação, deixam ser como é.
Gatos são budistas, cães são pentecostais. Gatos são resignados, cães são revolucionários. Gatos só mudam seu olhar quando estão extremamente tomados por uma raiva desmedida. Além disso são plácidos como um lago nas montanhas. Cães são praianos e dissimulados, fazem cara de bom moço quando querem um lasca de bife e se outro cão tenta tirar a tal bisteca, faz-se a guerra.
Cães mostram sentimentos com efusividade e amam em absoluto silêncio. Gatos vivem em silêncio e amam escandalosamente e sob nossas cabeças como que nos desprezando ou dizendo ''amo e que o mundo ouça''.
Já somos um pouco caninos, mas precisamos aprender a desenvolver a ''gatidão'' e viver a ''felinicidade''. Uns dirão que os gatos não sabem ser agradecidos. Na verdade deveríamos aprender com eles a fazermos o bem sem esperar que sejamos reconhecidos por estas boas ações. É a vitória da humildade sobre o ego.
Nem gatos são os certos, nem os cães são errados. O que nos importa é buscar a harmonia do ser.

12.06.2012

Amar o Ódio é necessário

Tem-se falado muito sobre casos de intolerância e violência contra grupos e guetos, entretanto as pessoas se esquecem ou talvez nem mesmo se apercebam apaixonadas pela idéia do ódio. E por isso afirmo: amamos ter que odiar!
O ser humano não é amor em essência, é ódio. Odiar é estar apaixonado de uma outra forma. Ódio é uma forma de paixão e entenda que paixão e amor são distintos. Paixão é estar, Amor é ir-se. Paixão é antônimo de Razão.
Quando a gente se apaixona se deixa levar por uma tempestade emocional que cega nossas percepções do que é a realidade. O apaixonado está tomado pela necessidade de obter algo do objeto de sua paixão. Ele precisa de um retorno dessa paixão, não importa em que nível ou de que maneira, mas ele precisa se certificar que seu intento apresenta resultado. Já o amor, como diz a tradição judaico-cristã, é paciente, benigno, não se exaspera, não é ciumento, é comedido, enfim, ele existe com ou sem sua concordância e retribuição. Isso é amor. 

Se a gente ama?
Talvez sim... Pouquíssimas pessoas amam de verdade, digo, amam outras pessoas. Ouvi do filósofo Flavio Gikovati que todo nosso conhecimento sobre as pessoas se evaporam depois que damos o primeiro beijo nelas, ou seja, no afastar dos rostos quem se aproximou não é exatamente a mesma pessoa que agora se apresenta e sim uma projeção nossa do ideal de pessoa que queremos e não o queremos no outro, queremos primeiramente em nós e então o projetamos no outro.
Certamente você já ouviu que tudo o que não gostamos nos outros é o que temos de ruim em nós. E talvez uma coisa que as pessoas também não tenham entendido é que não há como reconhecer algo que não nos é conhecido. Como posso dizer que azul é azul se nunca me foi apresentada a noção de cores e suas nomenclaturas. Percebo o azul, entendo sua diferença, mas não sei dizer que isso é uma cor e que essa cor se chama azul.
O que a gente costuma chamar de amor é uma distorção do ideal de amor. É mais um amor-paixão do que amor de fato.

Mas e o que tem a ver o ódio nisso tudo?
O ódio é um tipo de paixão que visita os sentimentos de desventura, desgraça, desonra, infelicidade, frustração. É apenas o lado contrário ao bom, feliz, gracioso. Não é pior, é apenas o contrário e é tão necessário à manutenção de nossa existência quanto sua contrapartida.
Não... não estou fomentando o ódio (esse ensaio livre de idéias não busca ser um manual de conduta). O que quero dizer é que o ódio é necessário à vida. Sem o ódio todos morreríamos mais depressa. O ódio da leveza é a gravidade, o ódio da luz é o escuro, o ódio do ir é o ficar. Não é melhor, nem pior, é o contrário e apenas isso e somos extremamente apaixonados pelo ódio. Amamos o ódio, amamos como talvez não amemos outra coisa no universo.
A tradição judaico-cristã prega o amor, mas ama a desgraça de seus inimigos (físicos ou "espirituais"); quem ama a paz, luta pela paz, logo a luta suscita o ódio a quem é contrário à paz. Entende? Amamos odiar. Amamos odiar a mãe da Isabela que jogou a menina pela janela, amamos odiar os agressores do que achamos ser o correto. Temos prazer no ódio, e o ódio, diferente da Paixão-amor que tem começo, meio e fim, pode perdurar em conta-gotas até o fim dos dias. A paixão-amor não. Ela é avassaladora. Conta-gotas é o escambau!

Temos a necessidade de ter uma figura de ódio, uma figura que contrarie nossas idéias e ideais para por sobre eles todo o nosso rancor, toda a nossa fúria, todo nosso lado negro, cujo lado "claro" é o lado negro de quem está do outro lado da trincheira. É como aquele soldado americano, criado a base de pasta de amendoim e coros gospel, ouvindo God Bless America à torta e que é levado para o Afeganistão e na prisão AbuDabi comete atrocidades tão vis quanto seus pares, carcereiros de Auschwitz-Birkenau e quem era o mocinho hoje é o bandido, que também é visto como mocinho.

Precisamos odiar. O ódio é extremamente necessário! Não apenas a paixão ódio, mas o ódio como contraponto do que sou, como sou e porque sou. O que não precisamos é a violência, produto do ódio passional. A violência sim é danosa. A violência não apenas se vangloria no prazer da desgraça de seu contrário como também intenciona que este deixe de existir. A violência faz com que desejemos a inexistência daquilo que nos é contrário e que nos provoca tal sentimento.
O violento é a forma mais ignorante no sentido humano do ser e não tem, como seu progenitor, o ódio, um lado bom. A defesa de seu uso acontece em acordo com o pensamento dominante. Se o ladrão fere então todos concordam que cercear sua liberdade de ir e vir é algo bom e aplicável, o que não o seria para alguém que não tivesse violado nenhuma regra de conduta social aceitável. Se ele bateu no meu filho eu posso bater também. Essa violência em resposta a uma agressão entre o mais forte e o mais fraco é aceita, mas é tão violência quanto sempre foi.
Quando se lê notícias de atrocidades cometidas por outras pessoas, pensamos: "cadeia é pouco... tem que matar" ou então "ahhh se fosse com alguém da minha família" e esse pensamento de desforra é socialmente aceito. Mas quem gera a violência é exatamente a mesma pessoa que a renega.

A única resposta que temos para sanar esses problemas é amar tudo; a tudo querer bem, sem olhar a quem, sem perguntar por quê ou por quem ou de onde vem. É fazer o bem e o deixar ir. Mas a gente não consegue amar de longe. Quem "ama" quer ter um pedaço do ser.

Aí a pergunta: "Se a gente ama...?"

Sim, mas amamos apenas o ódio que temos... Nunca aprendemos a amar o que somos. Amar a Deus já sabemos, mas "ao próximo como a si mesmo", hmmm isso é difícil! Como posso amar alguém se não sei me amar e me aceitar e deixar de me preocupar em como parecer ou me mostrar. Amar é ser, estar e deixar... se deixar amar tal qual se é, tal qual sempre será!

10.31.2012

Vai!


Sabe...
Eu já tava cansado de ouvir o que eu devo ou não fazer. É problema meu se eu quero levar a vida desse ou daquele jeito e ninguém tem nada a ver com isso.

Eu entendo que eles dizem que querem meu bem e essa baboseira toda, mas cê também não vê que eles não querem entender que eu também tenho a minha vida ou pelo menos tenho o direito de escolher de que modo eu quero viver.

Ahhh, a última briga foi feia. Eles disseram que a casa era deles e que eu deveria sair se fosse pra viver diferente do que eles estavam exigindo. Imagina... exigir do filho; eu tô com 32, porra! Cê num acha que eu já sei escolher o que é melhor pra mim? Então... Aí eles falaram isso e tal, pediram pra eu sair de casa. Eu ia mesmo. Procurei uns apartamentos, um camarada que eu achava que era meu amigo não fez porra nenhuma quando fui contar pra ele isso. Babaca, se fodeu grandão depois. Tomou um puta tombo duma mina novinha que ele tava catando.

He He He... A gente tem que se virar como dá, né parceiro? Sabe como é... o mundo não para de girar só porque você tem alguns problemas. Mas já fiz o que precisava ser feito pra comprar a comida do dia seguinte.

Não, tá louco? Isso não... He He He Sô vagabundo, mas tenho meus limites também. A rua é cruel!

Não sei o que é Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia. Pra mim é tudo terra, é tudo porção de terra interconectada manja? É tudo uma coisa só. Eu sei que ninguém vai me entender, mas essa coisa de dividir o espaço em pedaços invisíveis que falam que se eu der um passo eu já lá, não tô mais aqui, essa história é coisa de doido, mano. Cê num acha?

Aí tem que ver o  lado deles também.

Sei lá!

Posso?
Acabou?

Puta perda de tempo hein!?

6.12.2012

Uma Noite Eterna

Aí você se pega espelhado naquele olhar que não sabe bem de onde veio, mas que parece sempre ter estado ali a sua espera. Aí você descobre que havia um pedaço de você morando fora do seu corpo. E aquele olhar te desmonta, te dilacera, te desconstrói, faz todas as suas certezas virarem dúvida, consegue até mesmo te confundir sobre quem realmente é você.
Tudo o que precisa para em sua frente, estaciona bem ali entre o braço direito e lado esquerdo do peito e te estende as mãos e te entrega o corpo todo e te pede a vida em troca e você entrega tudo e entregaria mais se mais tivesse para dar.
Aí você sente o tempo fechar e começa a chover nos olhos e você ficar feito criança jogando água e fazendo disso seu brinquedo. E brinca e pula e dança e esse água era o que essa terra seca precisava pra fazer algo novo começar. O chão da alma ta úmido e as janelas da casa coração se abrem pro vento que vem da serra e você limpa a casa, lustra as pratas, bate o tapete, troca a roupa de cama, bota um vaso novo, uma balada com barulho de disco, passa um café, deixa tudo pronto e vai pra varanda dizer: Seja Bem Vindo, Amor!
Mesmo que você, amor, seja eterno até amanhã e depois disso tenha que te levar a porta, te verei partir com a certeza de que nesse momento você era tudo o que precisava acontecer na minha vida.
Você não é o amor perfeito, você é na medida!


5.20.2012

A cancao francesa

Engraçado como as coisas acontecem.
Coloquei uma canção francesa para tocar e saí pela cidade a passear e ver as pessoas neste outono. E todas eram bem mais bonitas e mais amistosas e mais simpáticas enquanto tocava aquela canção. A cidade se enchia de cor, de beleza e tudo ficava melhor. Mas aqui dentro; aqui tem um coração que sofre por seus erros e chora por seus acertos. Um coração acostumado a ver a felicidade como algo distante e não é por causa desta distância que ele acredita que não exista a felicidade, apenas acredita que sua chegada depende de alguns acontecimentos que lhe prove o merecimento dessa glória final.
Ele ve seu amor nos braços de outra pessoa. Um outro alguém que não tem o cuidado que este amor merece, mas cada um tem seus próprios desafios e por isso aceitava e abraçava seu destino.
Agora cá estamos, olhando pela janela a cidade que não dorme, que chora e ri vinte e quatro horas por dia. O que devo fazer agora? Chorar ou rir?