E o que deve fazer quando nao é alguemi que nao se vai da minha vida, mas sim uma lembrança insistente de um dos melhores momentos que ja vivi? Que fazer quando se quer repetir a dose com a plena liberdade daquele dia passado, entretanto se está proibido de repeti-lo por razoes controversas às vontades do coracao?
Hoje!
Hoje é ainda um periodo de tortura para mim. Estou irredutivelmente preso ao que foi ontem e ao qie virá a ser, mas hoje, hoje eu nao quero existir. As realidades endurecem minha carne e prefiro expecular sobre o futuro ou relembrar o passado a ter que defrontar-me com o presente.
Ontem
Ainda tenho fresco na memoria as cores das tintas que pintaram aquele quadro. Um caminho de felicidades, bosques verdejantes, passeios floridos, casebres bem guarnecidos de eira e beira, um regaço aos pés da serra e uma ponte sob o mar donde nos sentávamos para inundar os pés e lambiscar o ventos com a cara e a coragem de quem nao tem um amanhã. Para nós o mundo se acabaria naquele "hoje", que hoje é nosso ontem, é tudo aquilo que foi, é tudo o que poderia ter sido e é. É o ontem. É o passado; a melhorar memória que minha mente foi capaz de reproduzir com fidelidade. Ela mesma, essa engenhoca cheia de brincadeiras, resolvou por vontade propria dar-se descanso das peripecias e deixou-se enganar por amor de seu senhor e amo. Está bem em fazer-se de submissa, embora nao seja e vuja independencia nao se segreda a ninguem.
Porvir
Quem sabe, talvez, quiçá, oxalá... Palavras que prenunciam o que deverá ou deveria acontecer. E é neste mar de "rás" e "rias" que vivo, entre as cores desbotadas do passado e as lembranças impensadas do futuro. Vivo apegado, apanhado, aprisionado, enraizado nas lembranças do que um dia fui e de um futuro que poderia ter sido. E tal qual raiz, permaneco na escuridao do submundo terreno, nos subsolos dos sentimentos, sobrevivendo da humidade e decomposicao de seres nao viventes, pois arrancar-me desta minha profundidade e terra, pondo-me às garras da claridade luminosa e cálida do sol, secar-me-ia e me secaria em pouco tempo, pois nao sou desse tipo que vegeta arribado da terra, mas sob ela me ponho e de tudo o que um dia foi é que me alimento. A escuridao chamo de Pai, a humidade chamo de Mae, e a clausura chamo de lar.
