4.26.2011
4.25.2011
Amor, dizem uns, é ferida, é contentamento, é dor. Eu particularmente penso que o amor é a forma mais sublime e completa de entender a integração, interação e complementariedade das coisas.
É um tipo de sentimento que só pode existir quando o "eu", o Ego, retira-se para dar lugar a um sentimento, a um objetivo maior do que apenas a auto-preservação.
Amor não é Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite. Amor é gostar-se de si e doar-se pelo outro. Amor é abdicar de um advogado não em razão da sentença, mas em favor da própria justiça que existe. Amor é não dar-se ao descaso de dizer-se ocupado com a vida de outrém, quando o que realmente se quer é ver-se livre de tudo e de todos. Amor é respeitar, é entender a seriedade e complexidade do sentimento de uma outra pessoa e ser sincero nas razões, nas intenções e nos propósitos.
Amor é calar a boca sempre que preciso por mais que se queira falar, é fazer-se cego para as miudezas; é saber elevar e relevar quando for preciso. Também é corrigir e nunca omitir para seu deleite.
Ah, amar. Quantas vezes amamos na vida? Já me disseram, certa feita, que amar é dar-se ao alvo em lugar de quem o mereça. Aristóteles diz que se o amor é luxurioso, nada poderá produzir de bom e que perdure, entretanto, se é forjado na sinceridade e na grandeza moral, poderá desbaratar exércitos e construir cidades-estado. Eu também acredito assim.
Amei, e amei, ai de mim, muito mais do que devia amar, porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz. Mas que dor é essa? A dor de não ter para sí o amor do outro? Se é assim, não é amor, é egoismo. Se a dor é de ver-se sozinho, então não havia amor, apenas um estar junto por enquanto.
Enquanto escrevo isso percurro pela última vez os metros que um dia me deram promessa do Eldorado e que, creio eu, era latão. Estive pensando ontem sobre a vida e é engraçado como tudo se acaba exatamente devido a alguma coisa que é imprescindível para a tal existência.
É estar-se preso por vontade e saber a hora de livrar-se da prisão, embora, cativeiro que dura tempos vira moradia e sair-se dele para a liberdade é transição dolorida. Mesmo no final, o amor não proporciona humilhação e vergonha, tais premios são concedidos pela mesquinharia e pelo ego inflamado de corações desumanos.
Amor é tão diferente! É uma esfinge, uma pirâmide, uma escrita rupestre, é algo que se mantem a longo do tempo para apreciação de qualquer um que por ele passe. Mesmo na desilusão o amor verdadeiro não busca revanche; é paciente, é benigno, não se ensoberbece, não arde em ciúmes, não suspeita o mal... não tem prazer na queda , antes busca a construção.
O que dizer de todo o amor que se acaba? Quando duas pessoas se põe em estado de amor, somam-se as virtudes e lapida-se os defeitos. Dizem que para manter o amor vivo entre os pares não se deve basear em bens econômicos, em status social, apenas alma! Alma está para o amor, como o oxigênio está para o corpo. E tal qual um corpo é atacado por virus a bactérias, o amor é atacado pelo egoísmo e pela bajulação. Se o amor no casal é a unificação de dois seres distintos, é preciso lembrar que quando a individualidade começa a tomar conta do corpo uno, febres e dores aparecem como sintomas de ataque ao amor. Mas se o corpo é forte, se se comunica bem com os anticorpos, ele se recupera e se fortalece.
Foi o que fiz: abri mão de mim, penhorei minha alma, compartilhei minhas virtudes, busquei corrigir meus erros, humilhei-me, entreguei-me. O fruto deste trabalho colherei num futuro breve, e certamente será um bom fruto e com sementes para que possa perpetuar a espécie e assim poderei dizer do meu amor: ele dura eternamente.
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