2.28.2011
2.21.2011
2.19.2011
Essa é uma história que poderia existir ou existiu, talvez possa mesmo ter existido ou até já esteja em curso.
É a história de duas pessoas que chamaremos Mo e Ro, por conveniência de ocultar suas identidades já que você, leitor poderá identificar-se com algum dos personagens e certamente não quereria ver seu nome publicado na internet retratando o que virá a seguir.
Pois bem, Mo é uma dessas pessoas um tanto inconsequente de seus atos, daquele tipo de gente que vive todos os sentimentos ao extremo pelo delírio e delicía de se permitir sentir tudo o que a vida lhe propuser. É entrega, um livro aberto, suas páginas podem ser lidas por qualquer pessoa, porém entre estas linhas esconde-se um mistério a poucos revelado e por menos, capturados. Digamos que seja a resposta para a pergunta das gentes, sendo seu segredo a pergunta da qual se fez resposta.
Ro é da natureza, de estatura mediana, com imenso zelo pela embalagem que Deus lhe impôs para testar o juízo dos fracos. É de uma leveza de alma, ímpar. Transparentemente fosco. Chucro, arredio, temperamental, manso, amistoso, carinhoso é este animal. Não se deve deixar ser levado pelas primeiras impressões: elas serão as últimas. Tal qual bicho peçonhento que se espreme entre as folhas, Ro fica entre as sombras da obviedade e do incompreensível.
Mo e Ro vivem em universos distintos separados por dimensões e buracos negros.
Num dado momento do espaço-tempo suas existências convergiram e quebraram uma das regras espaciais: a co-existencia no mesmo espaço, por dois ou mais corpos.
Mimetismo, simbiose, mistura, foi o que aconteceu. A união destas duas matérias foi tão forte que os códigos se fundiram indivisivelmente e a dualidade se tornou una, única. A sentelha de particularidade deixada por ambos no eixo temporal tomava a ação que o novo ser da realidade projetada adotava.
Foi confuso para seus pares entenderem a mudança de comportamento e mais confuso ainda foi, para cada qual, assimilar esse magnetismo.
Ro não conseguia significar o sentimento experimentado. Mo lhe disse, então:
- Você pode até não compreender neste momento, mas dadas as vivencias individuais e salvas as experiências futuras, eu lhe asseguro que neste exato momento qualquer proposição vinda de ti, seria por mim muito bem aceita.
Sou essa sua parte incontrolável, essa quebra da tua racionalidade, tua loucura contida que jamais te arremesará ao abismo. Sou esse teu desejo do que nem mesmo você trouxe à existência. Sua tua vontade de potência. Sou a natureza liberta que você sabe que é sua sem lhe afligir esta condição de "meu". Já sou teu, teu eu, teu nós.
Sabendo disso, vou te dizer o que tenho de você:
Tenho tua tranquilidade, tua exuberancia não tão comum que passe sem notoriedade e nem tão ofuscante que me doa a visão, tenho o entre. Tenho tua essência; nao teu cerne, tua essência mesmo, tuas gotas, te líquido, tua poção, tenho-na em mim. Tenho a esperança de que aquele hoje seja para sempre, no eternamente. Tenho fome do teu pão!
Talvez seja um pouco enigmático discernir este, contudo poderá sondar e perscrutar essa mente cunhada em formas par se recordar da disposição que tenho eu - creio que a tenha também - de sair desta minha realidade, deste meu universo e não te orbitar nem te segurar, mas fundir tua potencia à vontade e explodir em raios gama, teta, zeta, beta, alfa, "x". Me espalhar nessa matéria escura onde ninguém vê vida e onde o todo continuará sendo apenas uma minúscula parte daquele inteiro.
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