8.25.2010
Diziam que na rua vinte e três moravam duas senhoras. Uns criam que fosse mãe e filha, outros diziam que a mais nova era sobrinha da senhora dona da casa. Fato é que a presença de ambas se tornou um verdadeiro mistério para os vizinhos já que não se recordavam da última vez que as haviam visto caminhando pelas ruas do bairro.
Era uma comunidade tranquila e pacata. Desde os acontecimentos na zona agrícola muitos novos habitantes se mudaram para as novas casas que se erguiam onde antes só havia aquele sobrado imenso com o exuberante jardim que se extendia nos fundos da casa; o que gerava ainda mais desconfiança pois, quem seria o jardineiro hábil responsável pelo zelo com as flores e arbustos?
Ninguém era mais instigado por desvendar este mistério do que as crianças da região. Elas tentavam toda sorte de peripécias afim de encontrar alguma das donas no trato diário com a casa, sempre sem sucesso. As janelas do primeiro piso sempre ficavam fechadas e apenas as janelas do pavimento superior apareciam entre-abertas e isso nem mesmo era frequente.
Certo dia uma das crianças resolveu desvendar o tal mistério do casarão. Era na verdade uma garota de doze anos que passara alguns dias estudando a casa e o comportamento dentro dela. Percebeu que às sextas-feira a movimentação dentro da casa era maior; não que houvesse visto alguém, porém as luzes dos cômodos eram acionadas com maior frequência. Algumas vezes via sombras por trás das cortinas que iam de um lado a outro e concluiu ser alguma das residentes.
Numa dessas noites atravessou a rua apressadamente. O ar estava úmido e uma neblina cobria-lhe a visão, o que dificultaria seu reconhecimento por parte de qualquer pessoa que estivesse na casa. Abriu a portinhola da frente, subiu os três degraus e, redeando um pequeno gazebo à esquerda, correu para os fundos da casa de onde percebia vir o barulho de pessoas conversando. As luzes foram ficando mais próximas e intensas conforme ia se esgueirando a caminho do que poderia ser a porta da cozinha que se abriu para o imenso jardim.
Em meio ao silêncio da noite um som lhe tomou de assalto fazendo-na empalidecer. Reconheceu imediatamente o som como sendo um dos solos de piano de um certo compositor que sua avó - que Deus a tenha - lhe tocava no antigo gramofone. Não podendo conter-se pela emoção das recordações, pôs as mãos sobre o peitoral da janela acima e vagarosamente, embuída de receio e curiosidade, olhou sorrateiramente para a sala.
- Minha jovem, acaso é hora de uma pequena como você estar na rua, ainda mais com a curiosidade lhe tomando a razão?
A garota soltou as mãos e caiu sob o gramado aos pés da senhora que até então era uma lenda viva e que, via-se era uma pessoa de pele clara, olhos castanho-claros, cabelos brancos asseadamente retecidos num coque que se prendia por um alfinete encimado por por uma pérola negra que contrastava com a palidez de sua pele e cabelos.
- Dê-me sua mão. Deixe-me ajudá-la a levantar-se, minha jovem.
- Obrigado. - respondeu com vergonha e voz embargada, a pequena.
- O que faz em meu jardim? Acaso perdeu algo aqui?
- Desculpe-me, senhora não lhe queria incomodar.
- Ora, mas já o fez. Vocês crianças, são tão curiosas. Isso me espanta, embora seja algo natural em vocês.
- Insisto que me desculpe.
- Aceitarei suas desculpas se também aceitar meu convite para que tomemos algo. O frio está cortante e imagino que se ficar aqui, amanhã mesmo um médico terá de lhe prescrever algo para a quentura.
Foram ambas para dentro da casa. A senhora ia com a menina à frente. A porta lhe foi aberta e pôde entrar na cozinha da casa.
Lajotas claras nas paredes até o teto de cujo centro pendia um enorme lustre cheio de belos ornamentos alusivos à ervas e frutos. O chão era desenhado artisticamente com a reprodução de algo como um mapa náutico, que tomava mais de um terço de toda a área do cômodo.
- Creio que queira me acompanhar no chá, certamente.
Consentiu com a cabeça num suave gesto de aceitação.
- Estas ervas foram colhidas a pouco. Seu sabor muda quando colhidas a noite. Parece que elas gostam mais da escuridão. O que pensa? Ora, de certo não pensa nada ainda não está na idade de saber sobre o poder das ervas.
Enquanto a velha se punha a cuidar das tarefas concernentes ao chá, a menina percorria toda a extensão da cozinha como que se estivesse fazendo um retrato.
- Pegue querida. Aqui está sua xícara. Cuidado para não lhe queimar a língua.
- Muito obrigado. Está muito cheiroso.
- Seu sabor é tão agradável quanto seu cheiro. Prove.
Vinte minutos após o termino do chá, ambas, a velha e a garota adentraram a casa. A velha tinha a garota nos braços, algo incomum para alguém de sua idade.
A garota tinha a cabeça e braços pendentes e seu corpo mole se arqueava ante os braços fortificados de que lhe pegara no colo.
Subitamente a luz da cozinha se apagou, sem que ninguém houvesse tomado qualquer ação para isso. E as luzes da casa iam-se acendendo e apagando conforme a velha passava pelos cômodos. Até que chegaram em um quarto ao final de uma escada que descia da saguão principal da casa. Lá a velha colocou o corpo imóvel da jovem sob algo que se assemelhava a uma cama ou um altar feito de pedra.
O vestido azul escuro que lhe cobria, foi rasgado por uma tesoura deixando sua intimidade à mostra.
Depositada a tesoura em um pequeno relicário, tirou algo como uma faca, adaga ou atâme.
Fez um círculo ao redor do seio ainda infantil da garota, passou-lhe o fio por debaixo da carne e tirou-lhe este pedaço. Desenhou mais uma vez sob seu peito sangrando, separando os tecidos que lhe recobriam o coração que pulsava indiferente ao que lhe sucederia.
Pôs a mão pela cavidade entre as costelas e puxou o grande músculo vagarosamente para fora do corpo.
Espremeu-o entre os ossos do tórax fazendo com que as veias e artérias se esticassem. Com a mão esquerda suspendeu o orgão enquanto a direita lhe cerrava as amarras que ainda prendiam-no ao corpo infantil.
Passou a mão de sangue no languido rosto e pálido.
- Ah, minha pequena se soubesses que teu mal é o meu bem, não se teria permitido a curiosidade. Pois sabes que a curiosidade matou, não é mesmo, meu pequeno bichinho?
Enquanto a vida abandonava o corpo sob a grande pedra, o corpo outrora de uma senhora idosa se transformava numa bela senhorita de vinte e poucos anos.
- Pois é dos sonhos dos corações jovens que me alimento. Do doce sabor da juventude que sobrevivo. Entenda que não é nada pessoal contigo, senão com sua condição. Certamente saber usá-la com muito mais vigor e valor que você.
Deu uma bocada no coração esguichando sangue pelos cantos da boca. Mastigou algumas vezes aquele pedaço até que repetiu a bocada. Assim alimentou-se daquele coração.
Pegou o corpo como se fosse um grande estorvo; colocou-o no chão; separou-o em partes com uma faca maior e os ia lançando, pedaço a pedaço, numa fogueira.
Todas as luzes da casa se apagaram ficando apenas a pequena lareira a iluminar o rosto do jovem da, outrora, senhora, agora jovem. As duas alí, estáticas, paradas a olhar o fogo arder.
Era uma comunidade tranquila e pacata. Desde os acontecimentos na zona agrícola muitos novos habitantes se mudaram para as novas casas que se erguiam onde antes só havia aquele sobrado imenso com o exuberante jardim que se extendia nos fundos da casa; o que gerava ainda mais desconfiança pois, quem seria o jardineiro hábil responsável pelo zelo com as flores e arbustos?
Ninguém era mais instigado por desvendar este mistério do que as crianças da região. Elas tentavam toda sorte de peripécias afim de encontrar alguma das donas no trato diário com a casa, sempre sem sucesso. As janelas do primeiro piso sempre ficavam fechadas e apenas as janelas do pavimento superior apareciam entre-abertas e isso nem mesmo era frequente.
Certo dia uma das crianças resolveu desvendar o tal mistério do casarão. Era na verdade uma garota de doze anos que passara alguns dias estudando a casa e o comportamento dentro dela. Percebeu que às sextas-feira a movimentação dentro da casa era maior; não que houvesse visto alguém, porém as luzes dos cômodos eram acionadas com maior frequência. Algumas vezes via sombras por trás das cortinas que iam de um lado a outro e concluiu ser alguma das residentes.
Numa dessas noites atravessou a rua apressadamente. O ar estava úmido e uma neblina cobria-lhe a visão, o que dificultaria seu reconhecimento por parte de qualquer pessoa que estivesse na casa. Abriu a portinhola da frente, subiu os três degraus e, redeando um pequeno gazebo à esquerda, correu para os fundos da casa de onde percebia vir o barulho de pessoas conversando. As luzes foram ficando mais próximas e intensas conforme ia se esgueirando a caminho do que poderia ser a porta da cozinha que se abriu para o imenso jardim.
Em meio ao silêncio da noite um som lhe tomou de assalto fazendo-na empalidecer. Reconheceu imediatamente o som como sendo um dos solos de piano de um certo compositor que sua avó - que Deus a tenha - lhe tocava no antigo gramofone. Não podendo conter-se pela emoção das recordações, pôs as mãos sobre o peitoral da janela acima e vagarosamente, embuída de receio e curiosidade, olhou sorrateiramente para a sala.
- Minha jovem, acaso é hora de uma pequena como você estar na rua, ainda mais com a curiosidade lhe tomando a razão?
A garota soltou as mãos e caiu sob o gramado aos pés da senhora que até então era uma lenda viva e que, via-se era uma pessoa de pele clara, olhos castanho-claros, cabelos brancos asseadamente retecidos num coque que se prendia por um alfinete encimado por por uma pérola negra que contrastava com a palidez de sua pele e cabelos.
- Dê-me sua mão. Deixe-me ajudá-la a levantar-se, minha jovem.
- Obrigado. - respondeu com vergonha e voz embargada, a pequena.
- O que faz em meu jardim? Acaso perdeu algo aqui?
- Desculpe-me, senhora não lhe queria incomodar.
- Ora, mas já o fez. Vocês crianças, são tão curiosas. Isso me espanta, embora seja algo natural em vocês.
- Insisto que me desculpe.
- Aceitarei suas desculpas se também aceitar meu convite para que tomemos algo. O frio está cortante e imagino que se ficar aqui, amanhã mesmo um médico terá de lhe prescrever algo para a quentura.
Foram ambas para dentro da casa. A senhora ia com a menina à frente. A porta lhe foi aberta e pôde entrar na cozinha da casa.
Lajotas claras nas paredes até o teto de cujo centro pendia um enorme lustre cheio de belos ornamentos alusivos à ervas e frutos. O chão era desenhado artisticamente com a reprodução de algo como um mapa náutico, que tomava mais de um terço de toda a área do cômodo.
- Creio que queira me acompanhar no chá, certamente.
Consentiu com a cabeça num suave gesto de aceitação.
- Estas ervas foram colhidas a pouco. Seu sabor muda quando colhidas a noite. Parece que elas gostam mais da escuridão. O que pensa? Ora, de certo não pensa nada ainda não está na idade de saber sobre o poder das ervas.
Enquanto a velha se punha a cuidar das tarefas concernentes ao chá, a menina percorria toda a extensão da cozinha como que se estivesse fazendo um retrato.
- Pegue querida. Aqui está sua xícara. Cuidado para não lhe queimar a língua.
- Muito obrigado. Está muito cheiroso.
- Seu sabor é tão agradável quanto seu cheiro. Prove.
Vinte minutos após o termino do chá, ambas, a velha e a garota adentraram a casa. A velha tinha a garota nos braços, algo incomum para alguém de sua idade.
A garota tinha a cabeça e braços pendentes e seu corpo mole se arqueava ante os braços fortificados de que lhe pegara no colo.
Subitamente a luz da cozinha se apagou, sem que ninguém houvesse tomado qualquer ação para isso. E as luzes da casa iam-se acendendo e apagando conforme a velha passava pelos cômodos. Até que chegaram em um quarto ao final de uma escada que descia da saguão principal da casa. Lá a velha colocou o corpo imóvel da jovem sob algo que se assemelhava a uma cama ou um altar feito de pedra.
O vestido azul escuro que lhe cobria, foi rasgado por uma tesoura deixando sua intimidade à mostra.
Depositada a tesoura em um pequeno relicário, tirou algo como uma faca, adaga ou atâme.
Fez um círculo ao redor do seio ainda infantil da garota, passou-lhe o fio por debaixo da carne e tirou-lhe este pedaço. Desenhou mais uma vez sob seu peito sangrando, separando os tecidos que lhe recobriam o coração que pulsava indiferente ao que lhe sucederia.
Pôs a mão pela cavidade entre as costelas e puxou o grande músculo vagarosamente para fora do corpo.
Espremeu-o entre os ossos do tórax fazendo com que as veias e artérias se esticassem. Com a mão esquerda suspendeu o orgão enquanto a direita lhe cerrava as amarras que ainda prendiam-no ao corpo infantil.
Passou a mão de sangue no languido rosto e pálido.
- Ah, minha pequena se soubesses que teu mal é o meu bem, não se teria permitido a curiosidade. Pois sabes que a curiosidade matou, não é mesmo, meu pequeno bichinho?
Enquanto a vida abandonava o corpo sob a grande pedra, o corpo outrora de uma senhora idosa se transformava numa bela senhorita de vinte e poucos anos.
- Pois é dos sonhos dos corações jovens que me alimento. Do doce sabor da juventude que sobrevivo. Entenda que não é nada pessoal contigo, senão com sua condição. Certamente saber usá-la com muito mais vigor e valor que você.
Deu uma bocada no coração esguichando sangue pelos cantos da boca. Mastigou algumas vezes aquele pedaço até que repetiu a bocada. Assim alimentou-se daquele coração.
Pegou o corpo como se fosse um grande estorvo; colocou-o no chão; separou-o em partes com uma faca maior e os ia lançando, pedaço a pedaço, numa fogueira.
Todas as luzes da casa se apagaram ficando apenas a pequena lareira a iluminar o rosto do jovem da, outrora, senhora, agora jovem. As duas alí, estáticas, paradas a olhar o fogo arder.
8.24.2010
E foi assim que aconteceu.
Eles já sabiam da minha fama, mas nunca tinham me visto em ação.
Eu estava quieto, parado, na minha, totalmente de boa. Ela apareceu com o namorado ao lado. Sou respeitoso; os fitei porque não teria como não os ver, e eles a mim, afinal estavamos no caminho, um do outro.
Eu havia chegado sozinho, os outros caras ainda estavam a caminho do bar e por isso resolvi me antecipar a eles e pedi uma cerveja. Tomei ali mesmo, em pé. A segunda também e a terceira. Eram dessas garrafas long-neck. Fiquei um braço apoiado no balcão, cotovelo por sustentação e mão pendente enquanto os olhos percorriam todos os cantos do lugar, as vezes em busca de algum rosto conhecido pra quebrar a solidão, outras, a procura de alguma mulher desacompanhada como eu para que compartilhemos a solidão mútua. Mas, nada, ninguém. Só a tal loira com quem topei na entrada que as vezes virava a cabeça e trocávamos olhares furtivos. Olhava, mexia nos cabelos e voltava-se para frente interagindo com seu grupo - umas sete pessoas na mesa.
Faltava dez minutos para as nove horas da noite e os pilantras que marcaram comigo estavam abrindo a porta da frente do Bar. Já chegaram falando alto, as mesmas piadinhas infames de sempre, aquilo não mudava, já havia virado uma reza.
O Túlio, garoto de uns vinte e dois anos, começou a revirar o local com olho de lince e logo encontrou dois conhecidos em uma das mesas. Nos pediu licença para ir cumprimentá-los. Uma sequência de novos bordões.
- O que você está fazendo aqui?
- Vim com a rapaziada do curso. Aqueles ali são os professores.
- Irmão, você é um filho da puta, sabia? Trazer professor aqui pro bar só pra fazer média... viadinho você.
- Relaxa! Eles sempre bebem mais que eu e nunca ganhei ponto nenhum por causa disso.
- Tá dando pra qual deles?
(todos riram)
- Pro mais alto. Ahhh... ele tem um pau que me deixa doido (disse Túlio com voz feminina causando mais risadas)
- Ow... A Fabiana aqui, caralho! Respeito!
- Puta... Foi mal, Fabi.
- Tuti, não esquenta. Já me acostumei com o papo de vocês.
- Ricardo, cadé o Túlio?
- Ele disse que ia falar com uns amigos.
- Ahhh, beleza. Vamos pra mesa? Alberto, Gustavo, chama o Pedro e o Henrique... avisa que estamos indo pra mesa.
O Alberto foi vagarosamente andando na direção da ponta do balcão, próximo a entrada dos banheiros onde os dois já haviam encontrado duas presas, morenas. Nem eu havia percebido a presença delas ali. Será que eu estava tão absorto assim que não lhes reparei a presença, ou teriam acabado de chegar ao Bar? Tive os pensamentos interrompidos.
- O Túlio tá chamando, Ricardo.
Era a mesma mesa onde o casal estava sentado. Isso já estava começando a me parecer estranho.
- Ahhh... Não acredito nisso! Professor Guilherme? Quanto tempo! Nem reconheci o senhor alí no bar...
- Pelo amor de Deus. Senhor é o honorável seu pai!
- Ow professor, foi mal. Desculpa a forma. É que, né? O senhor sabe... foi mal de novo.
- Chama só de professor e tá tudo certo. A mulherada já me acha com cara de tio e você me chamando de senhor só vai prejudicar mais. Professor é melhor. Elas vão querer que as ensine algo, o que vai aumentar minhas chances.
- Ahhh tá, pegador!
(todos nós rimos)
Passadas as formalidades iniciais, todos fomos apresentados e convidados a nos sentarmos com eles O garçon trouxe mais umas cadeiras e outra mesa.
Lá pelas tantas estávamos falndo só bobeiras do tempo em que éramos seus professores enquanto eles se divertiam lembrando-se de algumas histórias. Estávamos todos meio altos já.
- Ae, dá licença ae que o tio aqui precisar ir ali lavar a mão. - eu disse.
- Opa, firmeza. Passae psor!
- Ahhh, eu também quero ir. Esperae. Dá licença Pedro.
- Ae hein psor. Se liga: leva a Fabi mas volta com ela hein! (todos riram) Não vai querer levar ela pra recuperação! (mais risos)
- Depois ele fala que é a gente falta com respeito com a namorada dele.
- Tuti, mano... a mina é minha e eu falo do jeito que eu quiser.
- Epa, num é bem assim não hein.
- Isso ae Fabi. Bota ordem no putêro.
- Vem Fabi, dá a mão... Me leva! (risadaria outra vez)
- Mano, a Fabi carregando o professor vai ser comédia.
Fomos em direção ao banheiro. Eu com os braços ao redor do pescoço da Fabi, ela com as mão em volta da minha cintura. Simulávamos andar feito bêbados, o que na verdade não era muito dificil de fazer.
Ao final da extensão do bar, um imenso espelho se punha á parede com dois corredores laterais, um encaminhando ao banheiro masculino e outro ao banheiro feminino. Soltei-lhe o pescoço indicando o final da brincadeira e rumei para meu vestíbulo.
Ao sair vi que a Fabi estava no corredor do banheiro feminino um pouco mais para trás do espelho. Me chamava com xiados.
- Psiu. Professor vem cá.
- Ué, não foi ao banheiro? Você é rápida!
- Fala baixo, porra!
- Opa, desculpa. O que foi?
Ela abaixou um pouco a calça e me mostrou que estava sem calcinha.
- O que é isso? - eu perguntei meio sem jeito.
- Você é o professor. Já deveria saber.
- Mas eu sei...
- Fica quieto! Eu quero você e tem que ser agora!
- Tá louca, garota?
- Professor... Vai querer ou não?
Ela pegou minha mão e colocou por dentro da sua calça. Realmente ela estava querendo algo e já estava pronta.
- Volta lá na mesa e assim que você chegar invente que esqueceu algo no banheiro. Volta que eu tô aqui te esperando.
Eu devo confessar que a primeira coisa que me veio à cabeça era que aquilo seria uma armadilha pra ferrar minha vida. Mas quer saber? Foda-se. Uma puta loira gostosa, maior de idade e louca pra... eu quero é mais.
Fiz como ela havia me pedido. Ela me puxou pra uma sala de depósito. Agia como se já tivesse feito aquilo algumas outras vezes. Me jogou contra uma parede. Bati as costas num quadro pendurado na parede que logo foi ao chão.
- Relaxa, ninguém vai vir aqui. O som lá fora está mais alto. - disse tentando tranquilizar minha cara de preocupação. - só tranca a porta então. - apontou indicando o trinco.
Me virou contra a porta. Eu ainda estava com a roupa da escola, pois havia terminado há pouco o treino dos meninos. Ela esfregava vigorosamente sua mão contra minha calça: um moleton verde claro com o brazão da escola do lado esquerdo, um pouco acima do bolso.
Foi preciso apenas um instante para eu descobrir o demônio à minha frente. Aqueles olhos verdes e os cabelos claros balançando para frente e para trás enquanto me segurava as coxas. Ataquei as mãos por dentro de sua camiseta e apertava, apalpava, beliscava. Que tesão.
Ela puxou minha calça até o calcanhar.
- Quero você dentro de mim e vai ser agora!
- Lógico. (que safada, eu pensei)
- Deita no chão. Deixa eu subir em cima de você. Que professor gostoso é esse?!
- Vem... Tá aqui, ó!
- Hmmm, não faz isso professor.
- Não era isso que você queria? Toma agora, porra!
Tampei a boca dela com a mão. Joguei no chão, a coloquei de bruços e subi em cima dela e deixei meu peso cair. Com a outra mão, puxei sua cintura um pouco para cima. Me virei com as costas no chão e ela ainda em cima.
- Pula agora!
- Caralho professor.. Não faz assim comigo! - dizia com um sorriso safadamente inocente no rosto.
- Não vou aguentar!
- Vai professor!
A puxei contra meu corpo e sussurei um gemido profundo em seu ouvido.
- Professor Ricardo, além de você ser um gostoso, é muito safado. Que delícia!
- Anda. Põe sua roupa logo. Daqui a pouco alguém dá falta de nós dois.
- Calma professor. Não precisa ter medo. Relaxa.
Voltamos pra mesa na maior cara de pau. Primeiro eu e depois ela. Estavam todos tão bêbados que nem perceberam o tempo que nos ausentaramos.
- Vou pegar uma bebida lá no bar. Alguém quer?
- Eu, professor. Perae que eu vou também.
Fizemos nossos pedidos.
- Só espero que ela não tenha pedido pra gozar na boca dela.
- Não entendi.
- Professor, eu vi vocês pelo espelho e sei bem como é minha namorada. Eu percebi o que ela queria pela forma como te olhou na entrada.
Eu estava atônito com a sinceridade.
- Mas fica tranquilo. Esse é nosso segredo. Meu endereço é esse aqui - me entregou um cartão - quando quiser passar lá pra repetir a dose, vou adorar ficar olhando. Ela sabe que eu gosto.
8.18.2010
"Outra vez sem você... outra vez sem amor", como diz a música; e eu não queria escrever sobre isso novamente. Queria falar das belezas de se saber amado.
Creio que esteja sendo vitimado por um produto da sociedade atual ou uma utópica idéia romântica.
É possível que nos sintamos atraídos por qualquer pessoa que corresponda a 70% de nossos requisitos quanto a como gostaríamos que fosse nosso conjuge. Fazemos uma série de aferições e então o resultado desta equação nos diz se nosso alvo é potencial ou não para o sucesso e felicidade de uma relação. A internet tem cooperado para uma problemática ainda maior que é o excesso de opções, o que não é de todo ruim, porém, em contraponto ao que se fazia a algum tempo atrás quando as pessoas tinham seus pretendentes e focavam atenção total nestas pessoas até que elas confirmassem ou não suas expectativas, hoje vivemos no comparativo. Elegemos entre 3 a 5 pretensos conjuges e vamos trocando informações entre uns e outros comparando o grau de compatibilidade, atração, desejo, sociabilidade e projeção que cada uma delas possa nos oferecer. Embora seja uma idéia bastante segura, afinal qualquer luta por uma felicidade mais certa e duradoura seja sempre louvável, às vezes acredito que esta atitude também seja prejudicial na medida em que vemos as pessoas como graus de pontuação de modo que nem sempre as com melhores pontos sejam as mais corretas para uma convivência a longo prazo.
Muitas vezes escolhemos equivocadamente os mais corretos, nos quais o excesso de correção se torna algo tão previsível e enfadonho que logo o sentimento de descoberta que move qualquer relacionamento, se acaba.
O que quero dizer é o seguinte: pelo que percebo em mim, "tem que acender". Pode ter um rosto bonito, um corpo espetacular, uma vida estável e segura, sex-a-peal, mas tem que acender.
Parece que eu tenho o dom para ver essa luz mas nunca chegar perto dela.
Conheci uma pessoa. A principio logo pensei: "meu deus, o que é isso?" Me diminui frente a grandeza que se apresentava. Correspondia a todos os requisitos que eu imaginava como sendo os perfeitos para mim. Me arrancava do stigma que me puseram, não me queria com os mesmos desejos que outros, não me exigia envergadura intelectual ou que lhe provasse valor cultural, não estava apegado a isso, mas havia um porém: tinha alguém. Dizia que estavam passando por um momento de crise. Relevei. Eu já estou me acostumando a esperar.
Usei todo meu conhecimento da psique humana afim de conquistar meu alvo. Entrei em sua mente, perscrutei seus pensamentos, empatizei-me, transformei-me em um espelho em que se via o reflexo de ambos na intenção de mostrar a idenficação de desejos, porém os propósitos ficavam aquém. Tomei a decisão de ir minimizando essas diferenças, incutindo-lhe os, agora, nossos ideais, fazendo com que se imaginasse vivenciando tudo aquilo que falávamos enquanto eu dava ainda mais asas à nossa imaginação.
Depois de tempos de conversas madrugada a dentro, esperas ansiosas pela entrada no chat, declarei-me. E não foi só isso. Além de dar-lhe a espada na mão e colocar a lâmina com o gume tangindo minha artéria, expliquei-lhe que em todas as vezes que repeti a ação não me retirei da posição com menos de um arranhão; algumas vezes sangrava ou não, dependendo da inten¢ão do algoz, entretanto nunca me retirei ileso.
Contava com sua humildade, sua transparência, sua inocência. A dor que pudesse me causar seria obtida de forma proposital e concentida caso sobreviesse. Estava absolutamente preparado para vivenciar a dor enquanto suas palavras me alertavam para o risco iminente.
A luta ainda nâo terminou, mas creio que esteja sentindo o calor do coração escorrendo em algum lugar. Dói-me pensar na derrota, dói-me cogitar a possibilidade de recuar. Não deveria aceitar qualquer coisa menor do que a vitória, porém é preciso ser coerente. Acendeu-me! Não foi a primeira vez e certamente não será a última.
Estou aprendendo a sofrer para doer da forma correta, se é que isso exista.
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