Aí você se pega espelhado naquele olhar que não sabe bem de onde veio, mas que parece sempre ter estado ali a sua espera. Aí você descobre que havia um pedaço de você morando fora do seu corpo. E aquele olhar te desmonta, te dilacera, te desconstrói, faz todas as suas certezas virarem dúvida, consegue até mesmo te confundir sobre quem realmente é você.
Tudo o que precisa para em sua frente, estaciona bem ali entre o braço direito e lado esquerdo do peito e te estende as mãos e te entrega o corpo todo e te pede a vida em troca e você entrega tudo e entregaria mais se mais tivesse para dar.
Aí você sente o tempo fechar e começa a chover nos olhos e você ficar feito criança jogando água e fazendo disso seu brinquedo. E brinca e pula e dança e esse água era o que essa terra seca precisava pra fazer algo novo começar. O chão da alma ta úmido e as janelas da casa coração se abrem pro vento que vem da serra e você limpa a casa, lustra as pratas, bate o tapete, troca a roupa de cama, bota um vaso novo, uma balada com barulho de disco, passa um café, deixa tudo pronto e vai pra varanda dizer: Seja Bem Vindo, Amor!
Mesmo que você, amor, seja eterno até amanhã e depois disso tenha que te levar a porta, te verei partir com a certeza de que nesse momento você era tudo o que precisava acontecer na minha vida.
Você não é o amor perfeito, você é na medida!
