6.26.2010
6.25.2010
Da compaixão e do compadecimento...
“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.” Clarice Lispector
E nisso se encerra uma das maiores verdades e um dos maiores segredos humanos. Segredo este, capaz de aliviar todas as dores reais ou não, que temos desenvolvido através de gerações, ano e eras.
Saudade é a lembrança que temos de alguma coisa, concreta ou abstrata, que nos trouxe alegria em determinado momento. Saudade é algo pertinente apenas aos bons sentimentos. É impossível sentir saudade de algo que lhe traga ou cause dor. Saudade é um compartimento dentro da caixa que chamamos “lembrança”. Tudo o que nos ocorre e que nos marca pontualmente, indiferente do aspecto positivo ou negativo do fato vivido, é posto dentro desta caixa tão bem elaborada por aquilo que nos formou e nos projetou; pois lembrar é ter consciência, é saber-se hoje com base no que éramos. Só podemos mudar nossas vidas por recorrermos a essa caixa abundante em ensinamentos experimentados por nós e que servem de registros indeléveis sobre os fatos e suas conseqüências, assim evitando que se repitam comportamentos cuja probabilidade de repetição do efeito seria relevante a se considerar.
Isso é o que denominamos Empirismo: a relação de causa-efeito que imprimimos nas experiências percebidas independente de seus objetivos e significados. Ou seja, temos um vasto acervo bibliográfico de experiências e seus efeitos e causas e com base nisso fazemos novas ou velhas escolhas. Por isso diz-se que “Errar é humano, mas permanecer no erro é burrice”, já que todas as impressões necessárias para a mudança de comportamento estão disponíveis ao individuo senciente.
Há, entretanto, a sabedoria empírica, que é a compreensão dos fatos causa-efeito e seu estudo cuja finalidade é o alcance de um determinado objetivo estipulado pelo indivíduo. Explicamos assim:
"Preciso sair de uma cidade e ir a outra.
Possuo apenas duas estradas distintas: uma com pavimentação regular e outra sem qualquer tipo de cuidado especial.
Farei a viagem descalço.
Na primeira viagem que fiz, demorei meio dia para ir à cidade pela estrada pavimentada, e precisei de um dia inteiro para voltar pela estrada sem pavimentação.
A experiência me mostrou que o caminho limpo é o mais rápido e menos dificultoso.
Quando me for solicitado que vá novamente à tal cidade, por qual estrada naturalmente farei a viagem? Evidentemente será pela estrada pavimentada; pelo cuidado com o caminho não me exigir tanta atenção como na segunda opção na qual tenho pedras, arbustos e tantos outros percalços."
Possuo apenas duas estradas distintas: uma com pavimentação regular e outra sem qualquer tipo de cuidado especial.
Farei a viagem descalço.
Na primeira viagem que fiz, demorei meio dia para ir à cidade pela estrada pavimentada, e precisei de um dia inteiro para voltar pela estrada sem pavimentação.
A experiência me mostrou que o caminho limpo é o mais rápido e menos dificultoso.
Quando me for solicitado que vá novamente à tal cidade, por qual estrada naturalmente farei a viagem? Evidentemente será pela estrada pavimentada; pelo cuidado com o caminho não me exigir tanta atenção como na segunda opção na qual tenho pedras, arbustos e tantos outros percalços."
O que quero com isso?
Explicar o meu ponto de vista sobre como temos nos transformado numa sociedade complacente, compadecente.
O que há de mais fácil ao ser humano racional é falar sobre suas próprias experiências. Como conhecemos apenas nosso mundo interior, sendo poucos os que se propõe a tomar os óculos do outro para compreender como o outro pensa e vê. Tendemos a elevar nossas experiências a um grau de excentricidade e importância que quase raramente corresponde à verdade, servindo tanto para as coisas boas ou ruins da vida: nossos problemas são os maiores, nossos empregos nos pagam menos (ou mais), nossas famílias tem amor em excesso (ou em falta), nossos filhos e esposas são nosso sucesso (ou derrota). Tudo depende se estamos querendo oferecer ou obter compaixão.
Compaixão é um sentimento que faz parte do altuísmo; altruísmo é a capacidade de inclinação às necessidades de outro, que desenvolvemos como forma de bondade ou solidariedade, o que não deve ser confundido com empatia, pois na empatia podemos até mesmo sentir a mesma dor que o outro sente, em razão das lembranças empíricas ou por realmente nos colocarmos no lugar do outro e repensar todos os aspectos que o trouxeram a este estado.
Compaixão tem a ver com compadecer-se, penalizar-se pela dor do outro, ou em último recurso, sentir dó. Compaixão é dizer ao outro “poxa, como você sofre” ou “poxa, como você é miserável”. É disso que se trata; sobressair-se em detrimento da subordinação emocional de uma outra pessoa. E o que tenho percebido é que cada vez mais temos nos tornado "compaixosos" de nós mesmos. Vivemos reclamando que não temos uma familia agradável, que nosso trabalho paga pouco ou tem uma carga elevada de horas, que nossa vida sentimental é uma lástima, que nosso carro não é tão potente, que nossa casa não é tão grande, que nossa conta não é tão recheada. Sempre falta algo. Então caímos na armadilha de sermos mal-agradecidos a nós mesmos por tudo o que fizemos, e nos envergonhamos como se fôssemos dignos de pena e vergonha de nossa própria parte, pelos atos não feitos, pelas glórias não alcançadas. É para mim maior vergonha saber que fomentamos este tipo de pensamento a despeito de sermos cobrados constantemente por nossa evolução frente ao implacável comparativo a que estamos sujeitos entre nossos pares.
Porém, torna-se ainda mais surpreendente, até engraçado, a repulsa que temos pela compaixão de pessoas que julgamos estejam alguns degraus abaixo de onde nos encontramos. Não admitimos que alguém menos influente que nós nos aponte o dedo para fazer coro do quão sozinhos estamos; ai de quem não tendo o carro, a casa, a conta que temos, nos vier perguntar se estamos "passando necessidade"; diremos: Jamais! Está tudo ótimo. - e retrucamos - E você, como está? - Retrucamos por saber que a pessoa em questão não goza das mesmas beneces que nós em todos os aspectos da vida que formos comparar; logo, ela é digna de maior compaixão que nós, benevolentes e amistosos seres.
O que quero dizer é que nos acostumamos a viver na linha em torno da compaixão: a buscamos de forma a nos colocar na posição do mais desprezível dos seres ou então postulamos o estandarte de obra-prima da natureza humana.
Diz-se na filosofia que a felicidade consiste em regozijar-se com o que se tem sem se esquecer do que poderemos conquistar. Mas o que tem se tornado uma ordem é a reclamação generalizada do "status quo". O estar não é bom o suficiente, nunca completa o ser em sua totalidade e nunca o completará enquanto não pararmos de achar que somos seres que pode tudo e sem limitações.
Não gosto muito, mas sou obrigado a evocar o versículo bíblico proferido pelo apóstolo Paulo: "tudo me é lícito, mas nem tudo me convém" (I Coríntios 6:12). Confundímos o mundo de nossas fantasias ilimitadas com o mundo real, terrestre e terreno, onde impera a lei dos limites, a lei do caos harmônico. Não somos os únicos seres no universo, o Universo por sí só é um ser se pensarmos que toda a nossa matéria e seus compostos também compõe todas as partes do universo; porém burramente procuramos vida inteligente fora de nós, quando na verdade queremos ver manifestações de inteligência e não vida. Pois tudo é vivo na medida em que se transforma.
Não gosto muito, mas sou obrigado a evocar o versículo bíblico proferido pelo apóstolo Paulo: "tudo me é lícito, mas nem tudo me convém" (I Coríntios 6:12). Confundímos o mundo de nossas fantasias ilimitadas com o mundo real, terrestre e terreno, onde impera a lei dos limites, a lei do caos harmônico. Não somos os únicos seres no universo, o Universo por sí só é um ser se pensarmos que toda a nossa matéria e seus compostos também compõe todas as partes do universo; porém burramente procuramos vida inteligente fora de nós, quando na verdade queremos ver manifestações de inteligência e não vida. Pois tudo é vivo na medida em que se transforma.
O que devemos focar nesta vida, e entenda-a no sentido temporal, é que o auto-conhecimento e a compreensão de nossa realidade frente a imensidão do universo, não passa de uma centelha de chama que logo se esvai.
Provocar ou procurar em alguém sentimentos que nos eleve não é uma atitude muito "inteligente". É muito mais saudável cultivar essas sentimentos em terreno próprio do que esperar que um terreno desconhecido dê os frutos que você espera sem que você mesmo tenha arado, semeado, regado e cuidado destes frutos.
Gostaría de falar sobre isso e como tenho tratado o assunto, mas seria demasiadamente egoísta de minha parte. Prefiro compartilhar os pensamentos do que impô-los através de uma narrativa em primeira pessoa. Me vale muito mais "o seu pesar ou seu contentamento".
6.03.2010
Apartir de hoje vou colocar meu ponto de vista sobre algumas questões que considero importantes sobre nossas vidas. Não quero, não pretendo, nem intenciono converter ninguém, convencer ninguém sobre o que penso. Estou apenas desabafando!

"Quanto mais elevado o espírito mais ele sofre" - Arthur Schopenhauer (filósofo alemão)
DA SEXUALIDADE, DOS SENTIMENTOS
Quero começar este assunto primeiramente esclarecendo algo para, talvez, as pessoas que não saibam. Segundo a lei da dinâmica das partículas, quando das partículas semelhantes de uma mesma molécula são separadas e colocadas em lugares distintos, as duas tendem a apresentam semelhanças no comportamento em razão do estímulo que recebem do ambiente em que estejam. De alguma forma, físicos e químicos, ainda não conseguiram entender o que faz com que esta "inteligência" atue, porém eles sabem que ela existe, mas não há meios físicos de comprovar tal fato. Sendo assim, tudo o que existe no universo se comunica entre sí mesmo que estejam separadas por qualquer distância que seja. Sabendo disso, quero lembrar que, também quase tudo no universo é composto em base de hidrogênio e carbono e isso se aplica mais ainda à nossa existência terrena. Tudo em nossa bolinha azul é feito de Hidrogênio e Carbono, entre outros materiais. Não quero dar aula de química aqui, portanto para maiores informações procure um site especializado no assunto e que me desculpem a ausência de maiores infos e referências.
Dito isto, entendemos que tudo que tiver partículas de hidro-carbono, poderá se comunicar entre si e assumir comportamentos semelhantes e algumas vezes involuntários. Isto é muito importante entendermos para que possamos avançar no que irei tratar.
Mas o que tem a ver sexualidade e sentimento com isso? - você me pergunta.
A relação é que em razão dessa inteligência involuntária, nós, seres humanos, perdemos e feio para todo o universo. Sim! Há décadas procuramos por vida inteligente em outros planetas, porém as procuramos de forma errada. Queremos encontrar "manifestações de vida inteligente" semelhante à nossa, em forma, conteúdo e expressão, porém o universo é todo inteligível; ele é a própria inteligência, ao passo que nós, somos apenas ínfimas parcela à mercê de toda essa inteligência maior. Existem forças no universo muito maiores que as que conhecemos pelas leis da física e química: há a energia escura, por exemplo, que ainda é uma mistério para a física; há a teoria expansionista do universo (vale a pena procurar saber mais sobre isso). Isso nos mostra que já que partículas semelhantes tendem a apresentar o mesmo comportamento em razão da força predominante sobre o ambiente no qual se encontram uma destas partículas, podemos dizer que, nossas existências não são livres e decididas por nós apenas, mas nossas decisões sofrem influências sobre as quais se quer temos conhecimento.
Até aqui tudo bem? Deu pra entender o que penso sobre existência, inteligência e ações? Repetindo e afirmando, não creio que somos absolutamente livres em nossas ações já que sofremos influência de energias maiores que a nossa "vontade", que também é uma manifestação, e que não as dominamos por falta de conhecimento de seu funcionamento e mecânica, portanto, não somos livres e somos em milésima parte seres inteligentes. Somos inteligentes em nosso meio (Terra), não em nossa existência (Universo - que é atemporal).
Partindo para a discussão de nosso tema, sexualidade: ela é a manifestação do instinto "natural" de proliferação da espécie para manutenção de sua existência. Sua ação sobre nós se dá em termos mais ou menos consciente para cada indivíduo, basta que haja o mínimo de atenção à observação da situação "causa-efeito". Quando nos colocamos no papel de observador e saímos do "cobaísmo" percebemos como atua a sexualidade. Ela nos faz comparar formas e as assimilar com fatores de melhor sucesso na transmissão dos genes; ou seja, o queixo protuberante, as maçãs do rosto mais rosadas, as têmporas mais salientes, braços e pernas mais robustas, entre outras coisas pelas quais nos atraímos e que em teoria não são "belezas" sozinhas, quero dizer, não nos atrairíamos por elas se estivessem fora de um contexto. Veja a perna torneada, o braço torneado, são belos, não? Diminua a proporção de observação. Temos a pele apenas, não mais a grande forma; apenas uma porção plana de pele. Há beleza nisto? Pode haver; pelo viço, pela textura, pela disposição das camadas. Diminuamos mais a proporção: visualização celular. Há beleza na célula? Em que uma mitocôndria, uma membrana citoplasmática te atrai? O que te faz ter vontade de trepar com um complexo de Golgi? É no mínimo nojento para grande parte das pessoas, verem o ser em seu nível microscópico. Parecemos todos uma aberração. Mas há beleza nisso? Se for beleza estética - e defino beleza estética como sendo a harmônia dos traços e formas, ou seja, a proporcionalidade - digo que não há beleza alguma, mas se falarmos de beleza caótica, quero dizer, a harmônia das diferentes forças convivendo de modo a promover a interação e existência sem que uma interfira na outra, mesmo sendo todas elas dependentes entre si, digo que sim, há muita beleza nisto.
Qual a razão então de tantas pessoas que prezam por essa harmonia de formas reclamarem tanto da indiferença de seus pares em relação aos sentimentos gerais, ao passo que as pessoas desprovidas desse conjunto harmonioso, ou que, ao menos não vêem este ítem como dos mais importantes na escolha de seu cônjuge, não dizem a mesma coisa?
O simples fato de nos colocarmos na senda da harmonia nos faz buscar estas semelhanças em outros e mesmo que não sejam ainda as semelhanças físicas, buscamos o nosso eu ou nosso "ele" fora da limitação dos nossos corpos e então começamos a projetar essas infinitas possibilidades para todos os lados sem com isso pôr foco em algo específico, o que certamente nos aliviaria grande parte das frustrações que temos vivido em nossos relacionamentos, pois como disse não vivemos com a individualidade do outro, mas procuramos no outro aquela existência perdida dentro de nós.
Era exatamente isso o que faziam os membros de tribos canibais e que ainda hoje existem: eles crêem que a força de seus opositores poderá lhes pertencer se puderem comer suas carnes, já que a força, crêem eles, reside na carne. A força vem de fato da carne? Evidentemente não - em termos. A intensidade com que haverá uma contração muscular que definirá a tal força dependerá primeiramente da disposição cerebral, da interpretação que o cérebro fará sobre as influências externas, o perigo iminente, os cálculos rápidos aplicados à sobrevivência do ser. É dessa matemática complexa que vem toda a força que estes guerreiros tem buscado, mas a falta de conhecimento específico os faz acreditar que, sim, a força provém da carne. Enquanto isso vários mestres orientais nos ensinaram e tem nos ensinado no transcorrer dos tempos que o maior guerreiro não é o que tem maior força no combate, mas o que sabe usar sua força para não combater. Então o que dizer frente a isso e nossas buscas incessantes por um semelhante? O que de fato queremos é alguém que nos eleve, nos tire do círculo vicioso no qual muitas vezes nos colocamos voluntariamente ou queremos alguém que seja a personificação do nosso ideal, uma extensão do nosso ego e que, futuramente nos causará transtornos incalculáveis e nos poremos a lamuriar e lamentar, nos perguntando o motivo de tal sofrimento. Se fôssemos mais criteriosos e racionais antes de nos tornarmos tão sentimentais, talvez sofrêssemos menos ou no mínimo teríamos consciência do motivo de tal sofrimento.
Antes de nos aventurarmos no mundo dos sentimentos que estão além dos muros de nosso reino é importante conhecermos muito bem nosso povoado, nossos habitantes. Façamos essa comparação: você é um pequeno povoado em um território distante que está buscando se aliar a outro grupo que tem seus limites logo além do mar ao sul; você gostaría de conseguir arrecadar mais dinheiro para expandir seu reino, torná-lo mais belo, mais próspero; gostaría que seus muros fossem mais vistosos, tirar aquele amarelado que o tempo lhe proporcionou em razão do quase completo abandono em que passou nestes anos todos; enfim, tem para si um sonho expancionista. O tal reino do além mar é quase aquilo que você mesmo queria ser e ter. O que faz então? Vai logo abordando o comandante e propondo união, certo? Sua ansiedade e alegria são tamanhas que você praticamente se perde neste mar revolto de sentimentos. Agora lhe pergunto: pois bem; já sabe bem o que quer do outro, certo? Mas sabe o que tem dentro dos seus limites que atraia o seu parceiro? Sabe quais são seus diferenciais em relação aos outros? O que você tem diferencial? Sabe que tipo de herança você levará para esta parceria? Sou absolutamente a favor de que tornemos claras nossas intenções, primeiramente fazendo um levantamento interno de nossas reais possibilidades, ou seja, é algo como um inventário de tudo o que temos, pois sem sabermos onde estamos, o que temos, perdemos o rumo de para onde queremos ir ou quão longe estamos de nossos destinos.
Todos nos colocamos em relacionamentos em busca de felicidade e felicidade não é nada além do que o conjunto de momentos prazerosos. Não é possível vivermos bons momentos sozinhos? Evidentemente é possível, porém o poeta sustenta a incapacidade de promovermos uma felicidade completa sem que tenhamos outro alguém. Mas com que finalidade existe a felicidade se para que ela exista dependemos de outros participantes? Felicidade deveria ser a independência da alma e não sua colonização. Talvez a lição que nos quis passar tenha sido a de que chega um momento em nossas vidas que a nossa existência se torna tão concêntrica e atômica que todas as coisas começam a girar em torno de nós, como as partículas girando em torno do átomo.
Para formarmos outras moléculas que darão origem a novos elementos é importante sabermos como nós agimos, caso contrário qualquer união sem este conhecimento poderá gerar uma união absolutamente instável, volátil, destrutiva e explosiva. É como se dois indivíduos H²O buscassem formar água oxigenada (H²O²) com essas mesmas particularidades , mas H²O+H²O nunca vai gerar H²O², é preciso que tenhamos uma molécula de água e um átomo de oxigênio, e mesmo assim o tal do rapaz oxigênio precisa saber se você, nossa querida água, realmente tem as duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio, caso contrário a ligação que ele quer fazer com você gerará outro elemento e não o que ele intenciona.
Deu pra entender como "deveria" funcionar nossa química de relacionamentos? Por isso eu sustento que é importante sabermos exatamente o que temos a oferecer para que nossos pensamentos, nossas vibrações quimico-elétricas não interfiram negativamente no pensamento do nosso parceiro, pois dessa harmonia dependerá a sobrevivência dos nossos estados futuros.
E agora quero continuar com este exemplo de química para explicar o motivo de tantas pessoas acharem que precisam de mais um ou outros dentro dessa cadeia ramificada, para que haja a tal harmonia. Se não soubermos de nossa equivalência em relação a esta nova união, esta parceria, correremos o risco de uma molécula mais forte em propriedade e tamanho atrair aquele nosso parceiro que jurávamos ser fiel à nossa ligação! De quem é a culpa por isso, caso ocorra? "É daquele sem-vergonha! É daquela safada!" Em partes, meu caro. Se você se conhecesse melhor talvez percebesse que sua ligação com esta pessoa poderia sofrer a influência de um outro elemento que está além de suas possibilidades e certamente nem teria iniciado sua busca por essa ligação, porque ela, ao invés de lhe complementar, lhe traria à tona suas dificuldades e em pouco tempo lhe roubaria os elétrons, os prótons, os nêutrons... É isso! É preciso se conhecer bem e saber muito bem quais suas limitações para que não se busque algo ou alguém que idealizamos ser - ter aquela força, aquele jeito - quando na verdade a proximidade com esta realidade revelará toda nossa fraqueza onde deveria existir o fortalecimento. Começamos a nos degradar em nosso amor-próprio e vamos definhando até que simplesmente sumimos e passamos então a dizer que todos só querem usurpar, destruir, usar, denegrir.
Agora pense bem: são os outros que nos destrõem ou nós que erroneamente buscamos alcançar um estágio para o qual ainda não temos a vivência correta, a preparação adequada? Não seria mais racional e precavido se nos entendêssemos como orgãos co-participantes de uma química universal na qual sempre haverá forças que são maiores que as nossas e contra as quais não teremos a mínima chance por mais que creiamos numa possivel vitória em combate? Essa questão não se trata de fé, de crença, é puramente saber a realidade dos fatos e tomar parte do que somos e definir uma estratégia de ação partindo do que temos e nunca do que teremos, gostaríamos de ter ou teríamos.
O passado nos legou as fissuras e as ligações necessárias para estarmos aqui HOJE. Amanhã inexiste, já está traçado e não sabemos como será, mas podemos escolher o que fazer agora. Podemos sim buscar algo maior do que somos ou temos, mas precisamos ser conscientes do que iremos deixar nesta troca, o que o outro levará de nós nesta composição. Será que isso nos fortalecerá ou nos trará fraqueza? É disso que estou falando.
Estar em relacionamento significa estar mais forte; trocar grandezas, compartilhar defesas. Se alguém lhe faz sofrer, te traz tristeza, que tipo de ligação você pensa que existe? Quem é o elemento predominante? O que acontecerá com você se não mudar de atitude? Escolha! Pense muito bem e preste atenção às faíscas; sua existência futura depende disso. Não corra o risco de se extinguir numa fissão nuclear. Ramifique-se, interaja até que estava pronto para de fato se unir!
Qual a razão então de tantas pessoas que prezam por essa harmonia de formas reclamarem tanto da indiferença de seus pares em relação aos sentimentos gerais, ao passo que as pessoas desprovidas desse conjunto harmonioso, ou que, ao menos não vêem este ítem como dos mais importantes na escolha de seu cônjuge, não dizem a mesma coisa?
O simples fato de nos colocarmos na senda da harmonia nos faz buscar estas semelhanças em outros e mesmo que não sejam ainda as semelhanças físicas, buscamos o nosso eu ou nosso "ele" fora da limitação dos nossos corpos e então começamos a projetar essas infinitas possibilidades para todos os lados sem com isso pôr foco em algo específico, o que certamente nos aliviaria grande parte das frustrações que temos vivido em nossos relacionamentos, pois como disse não vivemos com a individualidade do outro, mas procuramos no outro aquela existência perdida dentro de nós.
Era exatamente isso o que faziam os membros de tribos canibais e que ainda hoje existem: eles crêem que a força de seus opositores poderá lhes pertencer se puderem comer suas carnes, já que a força, crêem eles, reside na carne. A força vem de fato da carne? Evidentemente não - em termos. A intensidade com que haverá uma contração muscular que definirá a tal força dependerá primeiramente da disposição cerebral, da interpretação que o cérebro fará sobre as influências externas, o perigo iminente, os cálculos rápidos aplicados à sobrevivência do ser. É dessa matemática complexa que vem toda a força que estes guerreiros tem buscado, mas a falta de conhecimento específico os faz acreditar que, sim, a força provém da carne. Enquanto isso vários mestres orientais nos ensinaram e tem nos ensinado no transcorrer dos tempos que o maior guerreiro não é o que tem maior força no combate, mas o que sabe usar sua força para não combater. Então o que dizer frente a isso e nossas buscas incessantes por um semelhante? O que de fato queremos é alguém que nos eleve, nos tire do círculo vicioso no qual muitas vezes nos colocamos voluntariamente ou queremos alguém que seja a personificação do nosso ideal, uma extensão do nosso ego e que, futuramente nos causará transtornos incalculáveis e nos poremos a lamuriar e lamentar, nos perguntando o motivo de tal sofrimento. Se fôssemos mais criteriosos e racionais antes de nos tornarmos tão sentimentais, talvez sofrêssemos menos ou no mínimo teríamos consciência do motivo de tal sofrimento.
Antes de nos aventurarmos no mundo dos sentimentos que estão além dos muros de nosso reino é importante conhecermos muito bem nosso povoado, nossos habitantes. Façamos essa comparação: você é um pequeno povoado em um território distante que está buscando se aliar a outro grupo que tem seus limites logo além do mar ao sul; você gostaría de conseguir arrecadar mais dinheiro para expandir seu reino, torná-lo mais belo, mais próspero; gostaría que seus muros fossem mais vistosos, tirar aquele amarelado que o tempo lhe proporcionou em razão do quase completo abandono em que passou nestes anos todos; enfim, tem para si um sonho expancionista. O tal reino do além mar é quase aquilo que você mesmo queria ser e ter. O que faz então? Vai logo abordando o comandante e propondo união, certo? Sua ansiedade e alegria são tamanhas que você praticamente se perde neste mar revolto de sentimentos. Agora lhe pergunto: pois bem; já sabe bem o que quer do outro, certo? Mas sabe o que tem dentro dos seus limites que atraia o seu parceiro? Sabe quais são seus diferenciais em relação aos outros? O que você tem diferencial? Sabe que tipo de herança você levará para esta parceria? Sou absolutamente a favor de que tornemos claras nossas intenções, primeiramente fazendo um levantamento interno de nossas reais possibilidades, ou seja, é algo como um inventário de tudo o que temos, pois sem sabermos onde estamos, o que temos, perdemos o rumo de para onde queremos ir ou quão longe estamos de nossos destinos.
Todos nos colocamos em relacionamentos em busca de felicidade e felicidade não é nada além do que o conjunto de momentos prazerosos. Não é possível vivermos bons momentos sozinhos? Evidentemente é possível, porém o poeta sustenta a incapacidade de promovermos uma felicidade completa sem que tenhamos outro alguém. Mas com que finalidade existe a felicidade se para que ela exista dependemos de outros participantes? Felicidade deveria ser a independência da alma e não sua colonização. Talvez a lição que nos quis passar tenha sido a de que chega um momento em nossas vidas que a nossa existência se torna tão concêntrica e atômica que todas as coisas começam a girar em torno de nós, como as partículas girando em torno do átomo.
Para formarmos outras moléculas que darão origem a novos elementos é importante sabermos como nós agimos, caso contrário qualquer união sem este conhecimento poderá gerar uma união absolutamente instável, volátil, destrutiva e explosiva. É como se dois indivíduos H²O buscassem formar água oxigenada (H²O²) com essas mesmas particularidades , mas H²O+H²O nunca vai gerar H²O², é preciso que tenhamos uma molécula de água e um átomo de oxigênio, e mesmo assim o tal do rapaz oxigênio precisa saber se você, nossa querida água, realmente tem as duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio, caso contrário a ligação que ele quer fazer com você gerará outro elemento e não o que ele intenciona.
Deu pra entender como "deveria" funcionar nossa química de relacionamentos? Por isso eu sustento que é importante sabermos exatamente o que temos a oferecer para que nossos pensamentos, nossas vibrações quimico-elétricas não interfiram negativamente no pensamento do nosso parceiro, pois dessa harmonia dependerá a sobrevivência dos nossos estados futuros.
E agora quero continuar com este exemplo de química para explicar o motivo de tantas pessoas acharem que precisam de mais um ou outros dentro dessa cadeia ramificada, para que haja a tal harmonia. Se não soubermos de nossa equivalência em relação a esta nova união, esta parceria, correremos o risco de uma molécula mais forte em propriedade e tamanho atrair aquele nosso parceiro que jurávamos ser fiel à nossa ligação! De quem é a culpa por isso, caso ocorra? "É daquele sem-vergonha! É daquela safada!" Em partes, meu caro. Se você se conhecesse melhor talvez percebesse que sua ligação com esta pessoa poderia sofrer a influência de um outro elemento que está além de suas possibilidades e certamente nem teria iniciado sua busca por essa ligação, porque ela, ao invés de lhe complementar, lhe traria à tona suas dificuldades e em pouco tempo lhe roubaria os elétrons, os prótons, os nêutrons... É isso! É preciso se conhecer bem e saber muito bem quais suas limitações para que não se busque algo ou alguém que idealizamos ser - ter aquela força, aquele jeito - quando na verdade a proximidade com esta realidade revelará toda nossa fraqueza onde deveria existir o fortalecimento. Começamos a nos degradar em nosso amor-próprio e vamos definhando até que simplesmente sumimos e passamos então a dizer que todos só querem usurpar, destruir, usar, denegrir.
Agora pense bem: são os outros que nos destrõem ou nós que erroneamente buscamos alcançar um estágio para o qual ainda não temos a vivência correta, a preparação adequada? Não seria mais racional e precavido se nos entendêssemos como orgãos co-participantes de uma química universal na qual sempre haverá forças que são maiores que as nossas e contra as quais não teremos a mínima chance por mais que creiamos numa possivel vitória em combate? Essa questão não se trata de fé, de crença, é puramente saber a realidade dos fatos e tomar parte do que somos e definir uma estratégia de ação partindo do que temos e nunca do que teremos, gostaríamos de ter ou teríamos.
O passado nos legou as fissuras e as ligações necessárias para estarmos aqui HOJE. Amanhã inexiste, já está traçado e não sabemos como será, mas podemos escolher o que fazer agora. Podemos sim buscar algo maior do que somos ou temos, mas precisamos ser conscientes do que iremos deixar nesta troca, o que o outro levará de nós nesta composição. Será que isso nos fortalecerá ou nos trará fraqueza? É disso que estou falando.
Estar em relacionamento significa estar mais forte; trocar grandezas, compartilhar defesas. Se alguém lhe faz sofrer, te traz tristeza, que tipo de ligação você pensa que existe? Quem é o elemento predominante? O que acontecerá com você se não mudar de atitude? Escolha! Pense muito bem e preste atenção às faíscas; sua existência futura depende disso. Não corra o risco de se extinguir numa fissão nuclear. Ramifique-se, interaja até que estava pronto para de fato se unir!
Assinar:
Postagens (Atom)
