12.28.2009


E AMEI, AI DE MIM, MUITO MAIS DO QUE DEVIA AMAR...

Pronto, acabou-se o ano e começamos a pensar - nem todos fazem isso, digo essa coisa de pensar - nas atitudes, erros e acertos, alegrias e agrúrias deste ano que se vai.

Começo a refletir sobre o que eu, o escritor deste blog, fez neste ano e cheguei à conclusão de que deveria chamar o ano de 2009 too much. Fiz tudo no talo, no extremo, no limite, mas sobrevivi. Ufa! Ainda bem. Sei que algumas outras pessoas fizeram coisas semelhantes as que fiz e infelizmente sucumbiram aos vicios mortiferos que é viver a vida ao extremo. Me sinto consternado por elas, mas antes elas do que eu.

Sei que andei perigando, fiz o improvável, vivi o impossível, mas eu cedi às minhas vontades até onde eu achei que devesse. E foi bom demais fazer isso. Em 2009.

Amei demais, amei muito, chorei o que nunca havia chorado, olhei para aquilo que nunca tinha olhado, ouvi o que antes eu só escutava, senti coisas que nunca pensei sentir, fiz cada coisa. Do tipo, achei que fosse só um peidinho e quando vi já estava todo cagado.

Foi o meu ano das libertações, das libertinações, das imaginações, das reinvenções. E me reinventei tanto que descobri que pode haver mais alguns prazeres que pensei que nunca fosse encontrar.

Descobri que amo muito mais as representações das coisas do que as coisas em si. Descobri também que o que mais me aprisiona é o que penso ser ou o ideal que sonho para mim. Meus sonhos são meus grilhões e que merda é isso. Estar preso por aquilo que mais se quer e não poder se livrar exatamente porque estar liberto implica em abrir mão e declinar do convite da realização de tudo aquilo que imaginou.

Descobri que posso ultrapassar minhas fronteiras, que posso me doar muito mais do que já fiz; descobri que sou capaz de dar minha vida por alguém, que nao me valeria nada ter tudo se não tivesse o por quem fazer este tudo. Descobri que nao adianta quantas drogas eu use, quantas baladas eu faça, quanto sexo eu tenha, jamais vou conseguir com isso preencher um vazio que tem nome, sobrenome, tamanho, forma e idade certas.

Reinventei minha forma de amar, de olhar, de pensar, de entender, de julgar. Reinventei minha própria reinvenção. Mostrei para algumas pessoas que elas podem amar com liberdade, que podem querer alguém a quilometros de distancia. Entendi o que é a lua dos amantes. Já pedi para alguém olhar para a Lua só para que pudéssemos nos encontrar no olhar daquela que por nos vela todas as noites e alumia nossos caminhos e nos enche de esperança de que no final de semana que vem, vamos nos ver e matar as saudades; saudades que sempre demoram a ser suprimida, dor que ponteia forte no peito, que abre ferida e dilacera a alma.

Aprendi em 2009 que posso tudo se tudo eu quiser. Aprendi que a maior das minhas forças é a Vontade. Ela é meu dínamo e meu combustível.

Aprendi que me vicio com mais facilidade do que eu pensava, em coisas que me causam prazer incomensurável e que me fazem fugir de mim. Descobri que poderia me perder de mim mesmo se nao puxasse o freio desse carro desgovernado.

Aprendi tanta coisa. Aprendi a tolerar mais, aprendi a dizer mais não. Aprendi que cometi muito erros, vários e que ainda bem que a maioria eram erros novos. Descobri que amo errar, adoro estar errado, me apaixono por contestar, me viciei em viver a vida de outras pessoas por osmose. Descobri que eu tava descoberto.

Descobri que faço falta, que sinto falta de mim mesmo. Pela primeira vez senti saudades de mim. Eu sei que você que me lê pode não estar entendendo como alguém consegue sentir saudades de si mesmo; em quais circunstâncias isso ocorreria. Espero um dia poder explicar melhor. Descobri que sou prolixo demais para falar sobre certos assuntos. Aprendi que não posso falar sobre metade das coisas que tenho vontade: me internariam como esquizofrênico.

2009 foi tudo, foi muito, foi full.

Quero um ano novo mais harmonico, menos revoltado, menos preguiçoso, menos rançoso.
Quero tentar tudo denovo, mas comedidamente desta vez.
Quero tudo novo, denovo!

12.23.2009

ENTAO É NATAL E O QUE VOCÊ FEZ?

E chegou outra vez o Natal. Mais uma vez é o mês internacional das filas, congestionamento e mesmo tendo trinta e um dias, é um mês mais curto que fevereiro. Mês da maior de todas as corridas, e não estou falando da maratona de São Silvestre; é a corrida pelos presentes, lembranças e artigos afim.

Estou lutando para não repetir o mesmo discurso de dezembro de dois mil e oito a respeito da sem-vergonhice dos que desejam felicidades somente nesta época; aquela gente que não encontramos o ano todo e que nesta época, talvez pela intensa solidão assegurada aos que possuem poucos laços afetivos com o restante do mundo. Bem, prometi não me repetir.

E pensando nisso quero propor um novo pensamento: que tal se este ano se repetisse para você? O que acha da idéia? E se todas as suas ações se repetissem, todos os acontecimentos voltassem para lhe assombrar? Como se sentiria? Se recearia do que fez ou reviveria o passado tranquilamente? Estaria disposto a abdicar do novo pelo retorno das coisas que fez?

Qual foi o fato mais feliz deste ano para ti? O que lhe causou maior comoção? O que lhe espantou profundamente? O que mais lhe surpreendeu? Qual a novidade mais inacreditável? Qual o encontro mais feliz? Qual foi a melhor noite de todas? Qual? O quê? Para quem você daria o prêmio de Personalidade 2009? O que você jurava que não ia acontecer outra vez contigo, tendo feito até promessa, e voltou a acontecer? Qual foi sua maior promessa não cumprida? Sua maior loucura? Sua melhor viagem? Com quem foi sua melhor trepada? Sua pior briga? Quem é o Top of the Pop para você?

Certamente foram tantas coisas; ao menos espero que tenhs sido, porque não poder eleger nenhuma das categorias acima ou deixar alguma de fora seria no mínimo frustrante e sinal de que em 2010 você vai precisar sair mais da rotina.

Qual o lugar mais interessante? A melhor música? A melhor comidinha? Eleja seu Top 10 dos fatos de 2009. Vamos por a cabeça para funcionar.

Te faço outra proposta se ainda houver tempo: reúna seus amigos, façam aquele drink incrível e vamos brincar de "The Oscar goes to...". Aproveite para socializar e exorcisar os bichos-papão deste ano. Renove, faça um balanço de tudo. Se 2009 foi de fato inovador e você já começou a rir só em pensar sobre as respostas, parabéns, 2010 que lhe aguarde; caso contrário te desejo de verdade um novo ano cheio, mas "full of" mesmo, lleno, de coisas, lugares, sentimentos, sensações, pessoas, lembranças e tudo novo, de novo.

2010 está chegando para brincar com a gente. Se divirta com ele.

12.21.2009

PILULA

E se tudo o aquilo que você conhece fosse revelado sua grande ilusão? E se tudo aquilo em que você acredita fosse quebrado e despedaçado sem que houvesse memória de que um dia tudo aquilo tenha sido o que foi? E se eu te dissesse que nada do que você está vendo é real? se fosse tudo imaginário? Se fosse tudo mentira? Em que você acredita? O que lhe justifica as crenças que construiu ao longo dos anos? Se tudo o que pensa ser claridade for, em verdade, o lusco-fusco poente do sol? Crês, agora?

Tuas verdades são menos verdades que as mentiras que te digo. Sua santidade não é mais santa do que as profanações que provocamos em outras pessoas quanto nos colocamos sob os pedestais e dançamos enebriadamente até que nossos espectadores nos admire ao ponto de quererem ser um conosco e por fim nos roubar a identidade, pois assim é a realidade dos homens.

E, por qual motivo recorrer aos pontos, e lanças, e flechas, e ópios, e daimes, ritos, se ao final voltaremos deste transe com a sede de quem percorreu deserto a procura de oásis? Ou pensa que este é teu reduto seguro, para que a ele volte constantemente e continuamente e paulatinamente como se soubesse o caminho decór?

Sei que seu destino é a certeza do ilusório conscentido, conciencioso. Sei que aquilo que disse ser ruom e pueril lhe satisfaz como um doce à uma criança, pois é facil agradar tuas vontades e esconder tuas vergonhas.

Eu queria só sexo mas ele queria conversar. Eu só queria fuder, mas ele queria discursar. O que eu queria era gozar; ele queria um amor verdadeiro.

Eu não estava afim de falar sobre sentimentalismos, queria partir para cima, queria algo mais animalesco, mas brutal; eu não queria amor, eu queria a melhor trepada que aquele dia poderia me oferecer, amanhã viriam outros e outras propostas. Ele querendo falar sobre as carências, querendo fazer promessas, querendo ouvir juras e eu de saco cheio dessa babaquice de amor eterno, de " pra sempre seu"; que coisa mais ultrapassada para esse meu presente libertino. Acaso quero alguém que me liberte ou que seja me redentor aos pés do qual eu deveria me prostrar e pedir clemência pelos anos de sexo desenfreado e saboroso? Eu quero é mais. Quero tudo, quero o muito, quero sem miséria, desmedido, sem regra, sem limite.

Não era esse o tempo dele. Ele queria falar dos poetas. Pra merda os poetas e a porra da poesia. Eu sou o puro erro ortográfico. Sou uma frase sem pontos, análise sem sujeito que lhe predique. Mas ele é resistente, resiliente; continua na sua jornada discursiva sobre o que nos trouxe até aqui. O que me aproximou dele foi o tesão. Poderia ser só um cara parado falando ao telefone, mas não, era um corpo moreno, gostoso pra caralho, com uma bermuda cargo creme que contrastava com a escura pele por baixo e que tirava do sério. Poderia ser só mais uma mão segurando um telefone, mas não, ele a desceu lentamente por entre os pêlos do corpo me deixando ainda mais maluco. Segurei firme o pensamento, a vontade, a loucura. Eu saberia que aquele homem todo queria falar sobre amor, sentimento? Tinha pra mim que o que ele queria era aliviar a tensão tanto quanto eu. Aquela bunda redondinha marcando gritantemente a bermuda, que vontade de me jogar ali.

E ele querendo falar sobre o amor verdadeiro. Eu sem paciência nenhuma pra ouvir o que fosse.

Fala, vai, fala. Continua falando. Sim eu estou te ouvindo. Ahãn. Concordo Então, você quer pizza de quê? Como assim? To entendo sim; só perguntei o sabor da pizza por que eu estou com fome e não quero esperar muito tempo até eles entregarem.

Mas ele queria falar sobre amor.

Eu vou buscar água, uma pra você e outra pra mim. A minha, eu preciso com duas doses.Mas ele queria continuar falando sobre amor. Eu tomei minha água e ele falou, falou a noite inteira sem párar. Eu carimbei meu passaporte e fui pra bem longe dali.

12.09.2009

A TROCA, O TROCO, O TOCO

Não me venha dizendo que nao houve aviso. Já havia lhe avisado que a minha liberdade é real.

As pessoas nã estao preparadas para serem livres. Essa é uma verdade que tenho constatado há algum tempo. Novamente me desnudo para explicar essa afirmação, alias tenho sido insistente nessa coisa de me despelar em razão dos meus pensamentos. A cada coisa que digo, tenho que me desdobrar em mil para explicar e exemplificar o que tenho sentido.

Antes de te conhecer eu era uma pessoa com um passado e um presente e que intencionava construir um futuro contigo com base nas fundações lançadas por esse meu passado. Eram dois pretéritos em cada margem do rio: o teu e o meu e nossos passados e presentes se encontraram na confunção da construção.. Portanto é premente que saiba que antes desta ponte começar a ser construida, havia um terreno, um campo vasto e grande, cheio de florestas misteriosas e com histórias fantásticas; campos a perder de vista por onde vagavam e corriam meus pensamentos, todos livres. Os sonhos voavam alto e davam rasantes por entre os bosques e colinas desta Freeland que chamam Eu.

Esse pedaço de terra é território independente que já intencionaram colonizar, mas seus bravos guerreiros defenderam sua integridade e se mantiveram firmes. Evidente que, contam os livros, em alguns momentos vieram invasores e ao encontrarem a liberdade neste pais, pensaram que poderiam tomar para si tudo o que nele havia, porém cedo ou tarde seus habitantes, revoltados com a usurpação e degradação destes vales, iniciaram uma batalha sangrenta e lamuriosa que findou com a saida dos estrangeiros; desde então os nativos se transformaram em xenofóbicos.

Isso não significa que eles não saibam tratar os outros convivas, pares em suas terras. Têm completa consciência de quem são e de quanto lhes custou a liberdade que hoje possuem e por isso mesmo prezam pela liberdade de qualquer um que deles se aproximem.

Take your time, baby. Entenda que a liberdade que temos é do tipo assistida. Por mim, por nós. Faça o que tiver vontade, sabendo que alguém está a olhar para suas atividades do outro lado da ponte, na divisa do nosso território. O seu país começa onde termina o meu.

O que te proponho é a união destes territórios e não a fusão deles. Quero continuar independente, com a minha história, com meu passado. Não serei subserviente a ponto de abdicar do meu reinado e coroa-lo imperador destes territorios unidos.

Você diz que não gosta dos costumes desse povo que cá habita, mas se esquece que os costumes, valores, são particulares a cada pais. Nem todos agem igual; nem todos denominam as coisas que você conhece, pelo mesmo nome que você conhece. É demais lhe pedir tolerância? ou será que seremos palestinos e israelenses, americanos e iraquianos? Você se permite a tolerância de conviver com as minhas diferenças? Para isso é necessário que queira primeiramente entender o motivo pelo qual faço as coisas que faço; para que seja tolerante é preciso primeiro que me leia a historia, que me estude, que discuta a minha construção.

Pelo que percebo, não tem muito a intenção de somar nossas histórias a fim de que criemos um territorio forte e livre. Aviso que não aceiteremos qualquer tentativa de extrativismo ou colonização ou qualquer forma de servidão que possa haver. Não aceitamos ditaturas ou governos autoritaristas ou totalitarios. Make your choice and i will do mine.