
E AMEI, AI DE MIM, MUITO MAIS DO QUE DEVIA AMAR...

ENTAO É NATAL E O QUE VOCÊ FEZ?
E chegou outra vez o Natal. Mais uma vez é o mês internacional das filas, congestionamento e mesmo tendo trinta e um dias, é um mês mais curto que fevereiro. Mês da maior de todas as corridas, e não estou falando da maratona de São Silvestre; é a corrida pelos presentes, lembranças e artigos afim.
Estou lutando para não repetir o mesmo discurso de dezembro de dois mil e oito a respeito da sem-vergonhice dos que desejam felicidades somente nesta época; aquela gente que não encontramos o ano todo e que nesta época, talvez pela intensa solidão assegurada aos que possuem poucos laços afetivos com o restante do mundo. Bem, prometi não me repetir.
E pensando nisso quero propor um novo pensamento: que tal se este ano se repetisse para você? O que acha da idéia? E se todas as suas ações se repetissem, todos os acontecimentos voltassem para lhe assombrar? Como se sentiria? Se recearia do que fez ou reviveria o passado tranquilamente? Estaria disposto a abdicar do novo pelo retorno das coisas que fez?
Certamente foram tantas coisas; ao menos espero que tenhs sido, porque não poder eleger nenhuma das categorias acima ou deixar alguma de fora seria no mínimo frustrante e sinal de que em 2010 você vai precisar sair mais da rotina.
Qual o lugar mais interessante? A melhor música? A melhor comidinha? Eleja seu Top 10 dos fatos de 2009. Vamos por a cabeça para funcionar.
Te faço outra proposta se ainda houver tempo: reúna seus amigos, façam aquele drink incrível e vamos brincar de "The Oscar goes to...". Aproveite para socializar e exorcisar os bichos-papão deste ano. Renove, faça um balanço de tudo. Se 2009 foi de fato inovador e você já começou a rir só em pensar sobre as respostas, parabéns, 2010 que lhe aguarde; caso contrário te desejo de verdade um novo ano cheio, mas "full of" mesmo, lleno, de coisas, lugares, sentimentos, sensações, pessoas, lembranças e tudo novo, de novo.
2010 está chegando para brincar com a gente. Se divirta com ele.

PILULA
E se tudo o aquilo que você conhece fosse revelado sua grande ilusão? E se tudo aquilo em que você acredita fosse quebrado e despedaçado sem que houvesse memória de que um dia tudo aquilo tenha sido o que foi? E se eu te dissesse que nada do que você está vendo é real? se fosse tudo imaginário? Se fosse tudo mentira? Em que você acredita? O que lhe justifica as crenças que construiu ao longo dos anos? Se tudo o que pensa ser claridade for, em verdade, o lusco-fusco poente do sol? Crês, agora?
Tuas verdades são menos verdades que as mentiras que te digo. Sua santidade não é mais santa do que as profanações que provocamos em outras pessoas quanto nos colocamos sob os pedestais e dançamos enebriadamente até que nossos espectadores nos admire ao ponto de quererem ser um conosco e por fim nos roubar a identidade, pois assim é a realidade dos homens.
E, por qual motivo recorrer aos pontos, e lanças, e flechas, e ópios, e daimes, ritos, se ao final voltaremos deste transe com a sede de quem percorreu deserto a procura de oásis? Ou pensa que este é teu reduto seguro, para que a ele volte constantemente e continuamente e paulatinamente como se soubesse o caminho decór?
Sei que seu destino é a certeza do ilusório conscentido, conciencioso. Sei que aquilo que disse ser ruom e pueril lhe satisfaz como um doce à uma criança, pois é facil agradar tuas vontades e esconder tuas vergonhas.
Eu queria só sexo mas ele queria conversar. Eu só queria fuder, mas ele queria discursar. O que eu queria era gozar; ele queria um amor verdadeiro.
Eu não estava afim de falar sobre sentimentalismos, queria partir para cima, queria algo mais animalesco, mas brutal; eu não queria amor, eu queria a melhor trepada que aquele dia poderia me oferecer, amanhã viriam outros e outras propostas. Ele querendo falar sobre as carências, querendo fazer promessas, querendo ouvir juras e eu de saco cheio dessa babaquice de amor eterno, de " pra sempre seu"; que coisa mais ultrapassada para esse meu presente libertino. Acaso quero alguém que me liberte ou que seja me redentor aos pés do qual eu deveria me prostrar e pedir clemência pelos anos de sexo desenfreado e saboroso? Eu quero é mais. Quero tudo, quero o muito, quero sem miséria, desmedido, sem regra, sem limite.
Não era esse o tempo dele. Ele queria falar dos poetas. Pra merda os poetas e a porra da poesia. Eu sou o puro erro ortográfico. Sou uma frase sem pontos, análise sem sujeito que lhe predique. Mas ele é resistente, resiliente; continua na sua jornada discursiva sobre o que nos trouxe até aqui. O que me aproximou dele foi o tesão. Poderia ser só um cara parado falando ao telefone, mas não, era um corpo moreno, gostoso pra caralho, com uma bermuda cargo creme que contrastava com a escura pele por baixo e que tirava do sério. Poderia ser só mais uma mão segurando um telefone, mas não, ele a desceu lentamente por entre os pêlos do corpo me deixando ainda mais maluco. Segurei firme o pensamento, a vontade, a loucura. Eu saberia que aquele homem todo queria falar sobre amor, sentimento? Tinha pra mim que o que ele queria era aliviar a tensão tanto quanto eu. Aquela bunda redondinha marcando gritantemente a bermuda, que vontade de me jogar ali.
E ele querendo falar sobre o amor verdadeiro. Eu sem paciência nenhuma pra ouvir o que fosse.
Fala, vai, fala. Continua falando. Sim eu estou te ouvindo. Ahãn. Concordo Então, você quer pizza de quê? Como assim? To entendo sim; só perguntei o sabor da pizza por que eu estou com fome e não quero esperar muito tempo até eles entregarem.
Eu vou buscar água, uma pra você e outra pra mim. A minha, eu preciso com duas doses.Mas ele queria continuar falando sobre amor. Eu tomei minha água e ele falou, falou a noite inteira sem párar. Eu carimbei meu passaporte e fui pra bem longe dali.

A TROCA, O TROCO, O TOCO
Não me venha dizendo que nao houve aviso. Já havia lhe avisado que a minha liberdade é real.
As pessoas nã estao preparadas para serem livres. Essa é uma verdade que tenho constatado há algum tempo. Novamente me desnudo para explicar essa afirmação, alias tenho sido insistente nessa coisa de me despelar em razão dos meus pensamentos. A cada coisa que digo, tenho que me desdobrar em mil para explicar e exemplificar o que tenho sentido.
Antes de te conhecer eu era uma pessoa com um passado e um presente e que intencionava construir um futuro contigo com base nas fundações lançadas por esse meu passado. Eram dois pretéritos em cada margem do rio: o teu e o meu e nossos passados e presentes se encontraram na confunção da construção.. Portanto é premente que saiba que antes desta ponte começar a ser construida, havia um terreno, um campo vasto e grande, cheio de florestas misteriosas e com histórias fantásticas; campos a perder de vista por onde vagavam e corriam meus pensamentos, todos livres. Os sonhos voavam alto e davam rasantes por entre os bosques e colinas desta Freeland que chamam Eu.
Esse pedaço de terra é território independente que já intencionaram colonizar, mas seus bravos guerreiros defenderam sua integridade e se mantiveram firmes. Evidente que, contam os livros, em alguns momentos vieram invasores e ao encontrarem a liberdade neste pais, pensaram que poderiam tomar para si tudo o que nele havia, porém cedo ou tarde seus habitantes, revoltados com a usurpação e degradação destes vales, iniciaram uma batalha sangrenta e lamuriosa que findou com a saida dos estrangeiros; desde então os nativos se transformaram em xenofóbicos.
Isso não significa que eles não saibam tratar os outros convivas, pares em suas terras. Têm completa consciência de quem são e de quanto lhes custou a liberdade que hoje possuem e por isso mesmo prezam pela liberdade de qualquer um que deles se aproximem.
Take your time, baby. Entenda que a liberdade que temos é do tipo assistida. Por mim, por nós. Faça o que tiver vontade, sabendo que alguém está a olhar para suas atividades do outro lado da ponte, na divisa do nosso território. O seu país começa onde termina o meu.
O que te proponho é a união destes territórios e não a fusão deles. Quero continuar independente, com a minha história, com meu passado. Não serei subserviente a ponto de abdicar do meu reinado e coroa-lo imperador destes territorios unidos.
Você diz que não gosta dos costumes desse povo que cá habita, mas se esquece que os costumes, valores, são particulares a cada pais. Nem todos agem igual; nem todos denominam as coisas que você conhece, pelo mesmo nome que você conhece. É demais lhe pedir tolerância? ou será que seremos palestinos e israelenses, americanos e iraquianos? Você se permite a tolerância de conviver com as minhas diferenças? Para isso é necessário que queira primeiramente entender o motivo pelo qual faço as coisas que faço; para que seja tolerante é preciso primeiro que me leia a historia, que me estude, que discuta a minha construção.
Pelo que percebo, não tem muito a intenção de somar nossas histórias a fim de que criemos um territorio forte e livre. Aviso que não aceiteremos qualquer tentativa de extrativismo ou colonização ou qualquer forma de servidão que possa haver. Não aceitamos ditaturas ou governos autoritaristas ou totalitarios. Make your choice and i will do mine.