
TO ROSA CHICLETE - TO VERDE DROPS
(um trecho de um papo com um bom amigo)

TO ROSA CHICLETE - TO VERDE DROPS
(um trecho de um papo com um bom amigo)

JUSTIFICATIVA
Não sou eu que estou errado e nem o mundo que está certo. Estamos todos no mesmo barco furado porém nem todos tem as mesmas patentes neste cruzeiro por mar aberto.
Como pessoa resolvida que sou, sem muito bem o que sinto frente a determinadas situações e o motivo desses sentimentos.
Há um grupo de inquisidores que têm me perguntado o motivo do ensaio nu que fiz e deixo aqui uma resposta-esclarecimento sobre determinadas situações tão comuns a todos mas que quase todos insistem em não ver.
Todos nós, pessoas normais que andam na sociedade e fazemos parte ativamente deste grupo, temos a intenção de nos diferenciarmos e sermos reconhecidos em nossas particularidades e isso não é uma afirmação descobertapor mim; poderia citar uma duzia de autores que fundamentaram essa questão muito antes do meu nascimento. E neste desejo de reconhecimento usamos uma serie de ferramentas que possam causar algum tipo de sentimento de depreciação em quem nos observa. Se somos ricos, ostentamos a riqueza em nossos pulsos, mãos, pescoços, chaves, por sabermos que pequena parcela da sociedade possui condição suficiente para aquele brilhante ou aquele carro e frente a isso mostramos que temos poder, o poder financeiro e nos valhemos dele para justificar nossas atitudes mais comuns. Se somos bonitos, e por favor não vamos confundir beleza e estética, já que a beleza é um fator discutivel apartir do ponto de vista daquele que o denomina belo, sendo a estética um conjunto de simetrias e harmonias que invariavelmente torna tudo belo tecnicamente; bem, se somos belos mostramos nossa beleza em nossos decotes, em nossas roupas cirurgicamente talhadas, emolduramos este quadro em cortes de cabelo e cores que nos valorizem, que nos torne mais harmonicos e liricos até.
Há tantos artificios que usamos para justificar e atrair a atenção das pessoas. E há uma outra situação que me causa estranheza e gostaria sinceramente de entender a dinamica disso: já trabalhei em alguns bares e saunas exclusivas e pude perceber que grande parte dos frequentadores desses lugares são pessoas muito bem esclarecidas e me atrevo a dizer que algu.mas canetas que bem assinam em São Paulo passam por mim nestes lugares. O valor estipulado pela gerência dessas casas como entrada aos seus clientes não é algo tão tranquilo e barato, há um dispendio com estes serviços; além deste, temos também o gasto com as bebidas na casa. O que quero dizer é, por que estas pessoas tão bem informadas e abastadas vêm fazer em ambientes como esses? O valor que eles gastam em uma noite, certamente é menor do que o gasto com um bom garoto de programa, salvo o serviço dos "scort boys". Qual a razão de gastar tanto com pessoas que não necessariamente tem o tipo fisico mais desejado por todos? Seria em função da segurança inconsciente estabelecida pela igualde de condições, estético-financeira, dos participantes dessas festas? Seria pela comodidade de se pagar um valor razoável para expressar sua sexualidade da forma que bem entender sem que com isso seja alvo de julgamentos e cobranças, do tipo: ahhh, ele éum juiz do tribunal X, diretor da empresa Y e estava de joelhos chupando, dando, comendo seja lá quem for? Será pela facilidade de várias experimentações com o maior número de pessoas possível em uma noite tal como vejo acontecer e alguns chegam até mesmo a colocar isto em uma redoma como se fosse algo de que se orgulhar: "Certificamos que o Fulano de Tal bateu o recorde neste estabelecimento, tendo entregue seu corpo e uso e fruto de mais de 120 pessoas somente neste semana." O que leva as pessoas a fazerem isso? A se colocarem neste situação? Alguns de vocês que me lêem agora podem estar dizendo: qual o motivo dessa pergunta, ou qual o real significado dessa inquisição sendo que você está se expondo em um site com fotos peladão? É assim que vivencio minha sexualidade, meus amigos. Sendo visto, me colocando às vistas, sendo querido, sendo renegado, sendo irmanado, mas sempre provocando algum tipo de sentimento em alguém, sendo que este este mesmo alguém se torna meu objeto de estudo e sobre ele faço recair minhas atenções para buscar a primordial motivação e sentimento que faz as pessoas se moverem a isso. Não serei hipócrita para negar que uso deste universo para também por em prática meus desejos, mas o observo e o uso, não é nele que vivo.. Logo, estou nele sem fazer parte dele. Mas nem todos conseguem entender isso, nem todos conseguem estar sem ser.
No meu caso uso o que tenho, e que vocês digam o que tenho, para chamar a atenção das pessoas e estudar seu comportamento. E faço questão de colocar tudo o que vivencio, neste blog, para poder discutir contigo temas como este.
Grande parte dos homens gays abominam lugares como sauna, sex-clubs e darkroom porém nenhum destes ficam sem sexo e garanto que não passam uma semana sem uma "caçassão" por qualquer meio que seja: internet, metrô, ônibus, parque, trabalho. Sou prova viva, e continuarei vivo quando alguns já terão deixado essa vida, de que as bandeiras militantes do fechamento das saunas, do término das pegações, são embraçadas por pessoas que vivem na cola de uma boa foda. E insistem, viu! Como insistem, essas pessoas! E vem a parte mais crítica da insistência: a negação do pedido.
Alguns não tem condição de inteligência emocional desenvolvida para entender que estar na vitrine não implica em que este "produto" esteja na prateleira. Nem tudo que reluz é ouro. Nem tudo o que se procura, se acha. Me reservo o direito de ser vendido a quem creio ser comprador zeloso e merecedor. Quase sempre o que está na vitrine é um conceito, uma combinação de idealisdades. Pretensão minha me achar um conceito? Talvez! Mas a insistência de compra e o volume de buscas me justificam afirmar que certamente não sou um comum.
E se digo "Não" sou o convencido, o esnobe, o chato, o incoerente: " como assim, não? tá no site pra quê, então?" Para dizer a quem quiser ouvir que não é errado assumir que você gosta de ser visto, que gosta de se mostrar, que gosta que te elogiem, que adoro quando fazem um bom shiatsu no seu ego; isso não é condenável, não. Isso é muito saudável e é muito bom para fortalecer aqueles pontos fracos em sua personalidade ética e moral.
Não é condenável se expôr e mostar no trato cotidiano o quão profissional você é; como lida bem com suas responsabilidades, com sua vida familiar, com seus amigos.
Ah, mas o que pensarão de mim, oh? Ora, ou se vive para si ou para os outros. Se a vida é um jogo, a única certeza é que vamos perder essa partida por mais que lutemos. Ou você corre para o abraço das suas paixões e assume diante do espelho os erros e acertos daquela pessoa ali em frente ou escreverei na lápide que guaradará aquele pedaço de braço e aquela cabeça comida por vermes e com baratas andando por toda a parte: aqui jaz alguém que não soube quem foi e mesmo assim viveu para algo que não era.
O fim de todos é a morte, mas antes dela tem a vida que é uma viagem ímpar e para qual só temos o bilhete de ida. Para quê então ficar fazendo poses de algo que não se é, para pessoas que não se conhece direito? Para quê? Que graça tem uma vida tem uma vida de aparências? Você pode sim ser uma puta sem necessariamente transformar o mundo num puteiro. Qual o problema em dizer para si mesmo: sim, eu sou assim.
Vivemos demasiadamento estando, quase nunca sendo. Chega de estar; sejamos. Chega dos "status"; vivamos.
Às vezes isso que coloco aqui, é pedir demais para algumas pessoas. Então se torna importante esclarecermos que nem todos são obrigados a esse "outing". Há quem viva muito bem com suas máscaras e disfarces, sem os quais provavelmente não estariam vivos .
Eu aceito que se viva de máscaras e de aparência, mas que isso seja previamente combinado consigo. Que você esteja consciente de que vive um invólucro.
Ahhh, enfim! Quer saber? Talvez seja realmente melhor assim. Que todos sejamos encapsulados nessa bolha, que apenas alguns poucos sobrevivam, que não sejam todos presenteados com a consciência da realidade. E para ser platônico, o que é a realidade senão uma projeção fantasmagórica daquele mundo fora de nossas caverna?
Se as projeções te excitam, fique com as projeções. Caso contrário, entenda que viver fora da caverna implica em perder-se para então se reconstruir a partir do nada, que é um trabalho duro e penoso, porém certamente enriquecedor.
Não existe homem fiel. Você já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas afirmo com propriedade. Não é desabafo. É palavra de homem que conhece muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitos homens. Nenhum homem é fiel, mas pode estar fiel (ou porque está apaixonado (algo que não dura muito tempo - no máximo alguns meses - nem se iluda) ou porque está cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo (isso vai se voltar contra você)..A única exceção é o crente extremamente convicto.Se você quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles bitolados, mas agüente as outras conseqüências.
Não desanime. O homem é capaz de te trair e de te amar ao mesmo tempo. A traição do homem é hormonal, efêmera, para satisfazer a lascívia. Não é como a da mulher. Mulher tem que admirar para trair; ter algum envolvimento. O homem só precisa de uma banda. A mulher precisa de um motivo para trair, o homem precisa de uma mulher.
Não fique desencantada com a vida por isso. A traição tem seu lado positivo. Até digo, é um mal necessário. O cara que fica cercado, sem trair, é infeliz no casamento, seu desempenho sexual diminui (isso mesmo, o desempenho com a esposa diminui), ele fica mal da cabeça. Entenda de uma vez por todas: homens e mulheres são diferentes. Se quiser alguém que pense como você, vire lésbica (várias já fizeram isso e deu certo), ou case com um gay enrustido que precisa de uma mulher para se enquadrar no modelo social. Todo ser humano busca a felicidade, a realização. E a realização nada mais é do que a sensação de prazer (isso é química, está tudo no cérebro).
A mulher se realiza satisfazendo o desejo maternal, com a segurança de ter uma família estruturada e saudável, com um bom homem ao lado que a proteja e lhe dê carinho. O homem é mais voltado para a profissão e para a realização pessoal e a realização pessoal dele vêm de diversas formas: pode vir com o sentimento de paternidade, com uma família estruturada etc. Mas nunca vai vir se não puder ter acesso a outras fêmeas e se não puder ter relativo sucesso na profissão.
Se você cercar seu homem (tipo, mulher que é sócia do marido na empresa), o cara não dá um passo no dia-a-dia (sem ela) você vai sufocá-lo de tal forma que ele pode até não ter espaço para lhe trair, mas ou seu casamento vai durar pouco, ele vai ser gordo (vai buscar a fuga na comida) e vai ser pobre (por que não vai ter a cabeça tranqüila para se desenvolver profissionalmente (vai ser um cara sem ambição e sem futuro).
Não tente mudar para seu homem ser fiel. Não adianta. Silicone, curso de dança sensual, se vestir de enfermeira etc... Nada disso vai adiantar. É lógico que quanto mais largada você for, menor a vontade do homem de ficar com você e maior as chances do divórcio. Se perfeição adiantasse, Julia Roberts não tinha casado três vezes. Até Gisele Bündchen foi largada por Di Caprio. Não é você que vai ser diferente (mas é bom não desanimar e sempre dar aquela malhadinha).
O segredo é dar espaço para o homem viajar nos seus desejos (na maioria das vezes, quando ele não está sufocado pela mulher, ele nem chega a trair, fica só nas paqueras, (troca de olhares). Finja que não sabe que ele dá umas pegadas por fora. Isso é o segredo para um bom casamento. Deixe ele se distrair, todos precisam de lazer.
Se você busca o homem perfeito, pode continuar vendo novela das seis. Eles não existem nesse conceito que você imagina. Os homens perfeitos de hoje são aqueles bem desenvolvidos profissionalmente, que traem esporadicamente (uma vez a cada dois meses, por exemplo), mas que respeitam a mulher, ou seja, não gastam o dinheiro da família com amantes, não constituem outra família, não traem muitas vezes, não mantêm relações várias vezes com a mesma mulher (para não criar vínculos) e, sobretudo, são muuuuuito discretos: não deixam a esposa e nem ninguém da sua relação, como amigas, familiares saberem.
Só, e somente só, um amigo ou outro dele deve saber, faz parte do prazer do homem contar vantagem sexual. Pegar e não falar para os amigos é pior do que não pegar. As traições do homem perfeito geralmente são numa escapolida numa boite, ou com uma garota de programa (usando camisinha e sem fazer sexo oral nela), ou mesmo com uma mulher casada de passagem por sua cidade. O homem perfeito nunca trai com mulheres solteiras. Elas são causadoras de problemas. Isso remete ao próximo tópico.
Esse tópico não é para as esposas, é só para as solteiras e amantes.
Esqueçam de uma vez por todas esse negócio de que homem não gosta de mulher fácil. Homem adora mulher fácil. Se 'der' de prima então, é o máximo.Todo homem sabe que não existe mulher santa. Se ela está se fazendo de difícil ele parte para outra. A oferta é muito maior do que a procura. O mercado está cheio de mulher gostosa. O que homem não gosta é de mulher que liga no dia seguinte. Isso não é ser fácil, é ser problemática (mulher problema). Ou, como se diz na gíria, é pepino puro. O fato de você não ligar para o homem e ele gostar de você não quer dizer que foi por você se fazer de difícil, mas sim por você não representar ameaça para ele.Ele vai ficar com tanta simpatia por você que você pode até conseguir fisgá-lo e roubá-lo da mulher. Ele vai começar a se envolver sem perceber. Vai começar a te procurar. Se ele não te procurar, era porque ele só queria aquilo mesmo. Parta para outro e deixe esse de stand by. Não vá se vingar, você só piora a situação e não lucra nada com isso. Não se sinta usada, você também fez uso do corpo dele – faz parte do jogo; guarde como um momento bom de sua vida.
90% dos homens não querem nada sério.Os 10% restantes estão momentaneamente cansados da vida de balada ou estão ficando com má fama por não estarem casados ou enamorados; por isso procuram casamento. Portanto, são máximas as chances do homem mentir em quase tudo que te fala no primeiro encontro (ele só quer te comer, sempre). Não seja idiota, aproveite o momento, finja que acredita que ele está apaixonado, dê logo para ele (e corra o risco de fisgá-lo) ou então nem saia com ele. Fazer doce só agrava a situação. Estamos em 2007 e não em 1957. Esqueça os conselhos da sua avó, os tempos são outros.
Para ser uma boa esposa e para ter um casamento pelo resto da vida faça o seguinte:Tente achar o homem perfeito, dê espaço para ele.Não o sufoque. Ele precisa de um tempo para sua satisfação. Seja uma boa esposa, mantenha-se bonita, malhe, tenha uma profissão (não seja dona-de-casa), seja independente e mantenha o clima legal em casa. Nada de sufocos, de 'conversar sobre a relação', de ficar mexendo no celular dele, de ficar apertando o cerco etc. Você pode até criar 'muros' para ele, mas crie muros invisíveis e não muito altos. Se ele perceber ou ficar sem saída, vai se sentir ameaçado e o casamento vai começar a ruir.
Se você está revoltada por este texto, aqui vai um conselho: vá tomar uma água e volte para ler com o espírito desarmado. Se revoltar com o que está escrito não vai resolver nada em sua vida. Acreditar que o que está aqui é mentira ou exagero pode ser uma boa técnica (iludir-se faz parte da vida, se você é dessas, boa sorte!). Mas tudo é a pura verdade. Seu marido/noivo/namorado te ama, tenha certeza, senão não estaria com você, mas trair é como um remédio; um lubrificante para o motor do carro. Isso é científico. O homem que você deve buscar para ser feliz é o homem perfeito. Diferente disso, ou é crente, ou gay ou tem algum trauma (e na maioria dos casos vão ser pobres). O que você procura pode ser impossível de achar, então, procure algo que você pode achar e seja feliz ao invés de passar a vida inteira procurando algo indefectível que você nunca vai encontrar. Espero ter ajudado em alguma coisa.


Enquanto eu ficava em casa me lastimando pelas cólicas que sentia, pelas fortes – eu achava – dores abdominais e pelo excessivo calor noturno que me impedia de ter uma boa noite de sono sem acordar a cada cinco minutos suando em bicas, uma mulher, uma senhora, uma alguém de pés descalços enfrentava o frio trepidante de Sarajevo (saraievo – como se diz) esmolando algo para si.
Me sinto extremamente comovido, estranhamente irmanado com sua dor. Parece que posso sentir os dedos dos pés queimando sob a fina camada de gelo a que meu sangue insiste em não se entregar e briga pela guerra do calor. Sinto o vento cortante levantando a barra do saiote; o sinto perfurando o rosto, lambendo as bochechas e mordendo ferozmente os ouvidos enquanto um rugido me espreita o pensamento.
Vejo aqui a desesperança de alguém que espera uma salvação, um Cristo, um messias que lhe traga a bendita paz, que lhe apazigúe a alma e lhe esquente e lave os pés.
Que vontade de ir a Sarajevo só para te encontrar e poder abraçá-la e calentar o que e da forma que eu puder. Que dor no peito, que dor no pé, que dor no coração.
Enquanto eu ficava em casa... amarrado pela pequenez dos meus problemas, o mundo precisava de mim. Enquanto eu ficava em casa!
RIO, sempre e pra sempre RIO (pretensa vida)
Ele me disse que não havia necessidade para tanto; que o que queriam era se livrar de mim de alguma forma que não me machucasse tanto. Não haveria motivo algum para o exílio ao qual me queriam enviar. Consenti então com o Marcelo e disse que me fizesse o favor de assinar o pedido de exílio por algum tempo, apenas para que eu pudesse reconstruir a casa, abrir as janelas, tirar a poeira, mudar os móveis de lugar.
Tomei o papel de suas mãos, li o volume de dias de que dispunha para as obras propostas e comecei a arquitetar tantas outras. Pensava em como aproveitar aqueles dias de certa libertação, o que faria, para onde iria, com quem conversaria, o que ainda teria de ver, de sorver. Eram tantas as perguntas que me peguei fraco das pernas e cambaleante, talvez em função do arrebatamento pela ansiedade.
Cheguei em casa, coloquei um pouco de água para esquentar ao fogo. Uma macarronada ia bem agora. A carne moída já estava pronta, só faltava o molho vermelho com a seleta de legumes. Piquei a cebola, refoguei, o cheirinho de casa de mãe subiu e me refiz das fraquezas. Joguei os ingredientes na panelas e os deixei se conhecendo até que todos fossem um. Fui pra sala, liguei a televisão. Um cara havia sido morte, um outro matara a família, a outra foi vitima de erro médico, a crise demitiu milhares, tinha gente morrendo nas avalanches na Turquia... Chega! Alforria para toda essa escravidão noticiada!
Para o quarto levei a mochila e a sacola com os antidepressivos. Separei o que a enfermeira havia dito para guardar resfriado e os que eu deveria tomar de seis em seis horas, os de doze em doze horas e os para combater certos efeitos que poderiam aparecer. Era um coquitel monotóv em cápsulas, todas com o objetivo de me trazerem uma tranqüilidade aparente. Teria sido mais fácil legalizar a canabis então. Mas aí seria uma grande apologia.
Meu pensamento abriu a porta e foi se dirigindo para qualquer lugar. Tomou um rumo pela avenida, fez a curva, pegou a estrada e seguiu rumo à serra. Nos reencontramos e ao nos olharmos percebi a mensagem que me trazia. Eu realmente queria aquilo. Liguei então para a rodoviária e perguntei a que horas sairia o ônibus para o Rio de Janeiro; a atendente me informou tudo o que eu precisaria saber e fez a reserva como eu pedira. Marcamos que eu embarcaria no ônibus da meia-noite e tal. Dito e feito!
Cheguei à rodoviária no horário pretendido. Na verdade cheguei mais cedo que o esperado, mas isso me garantiria maior tempo de ócio afim de observar os habitantes noturnos do lugar, já que estes eu ainda não tivera a oportunidade de compartilhar a presença, apenas os fiz com os diurnos e vespertinos.
Entreguei o bilhete ao rapaz da companhia. Após as conferências de praxe, tomei assento torcendo para que desta vez eu viesse sozinho para poder dormir enfim e relaxar, na medida do possível já que em poltrona de ônibus de viagem o conforto não é um item primordial tal qual a calibragem dos pneus ou o abastecimento correto. Seguimos o caminho. Tudo ia transcorrendo muito bem, sem percalços ou demoras. Fizemos a parada como de costume, aproveitei para reabastecer o organismo com lactobacilos vivos, alias atualmente fui incentivado pelo Luiz a comer coisas vivas, mas isso eu explico outra hora para não causar maior confusão do que o que esse comentário já surtiu.
A viagem foi rumando a seu fim aos trancos e barrancos, roncos e buzinas. Paulatinamente chegando a seu destino, cariocamente rebolando entre as mamilonares, mulatasatanicamente se perdia nas curvas das coxas das encostas, nos dorsos das serras, no dois pra lá dois pra cá do caminho. O estampido forte do surdo já se fazia ouvir antes mesmo de se chegar à velha cap. Na baixada os primeiros repiques soaram, as caixas de marcação deram seus gritos e um a um foram chegando os pertences dessa feijoada. A morena cedeu o sonar de suas sandálias ao asfalto e o término da viagem foi um verdadeiro desfile na Marquês de Sapucaí, sons e mais sons, ritmados e cadenciados fazendo vibrar corpo, mente, alma e coração. E não havia quem ficasse parado.
Pensei em ir a Copacabana com o 127, mas eu realmente estava muito cansado da viagem. Sambar por horas cansa, a quem canta e a quem dança. Segui no amarelinho via túnel Santa Bárbara. Poderia ter feito o caminho da poesia: Infante Henrique, Nações Unidas, Atlântica, Barata Ribeiro, ter parado em algum quiosque, tomar um refresco e me entregar a arte de observar e nada fazer, apenas fiscalizar a natureza que em sua perfeita ordem dá ordens aos ventos que sobrem, ao sol que ensolare, ao mar que marole, e à brisa que me abrace. Ah, como é bom fiscalizar. E se algo sai dos trilhos, a multa é um dia de nuvens escuras, céu carrancudo, singrando o azul casado.
Cheguei de fininho, não deixei que mar e praia percebessem minha presença. Queria ver as ondas da surpresa. O dia se finda e ainda não dei as caras para o mundo. Por enquanto estou me fazendo a graça de esconder o que tantos querem ver e outros querem ter; penso em só a revelar no momento propício; talvez nós saiamos a passear amanhã à beiramar. Só para estivar as canelas.
E não há como trazer para cá os augúrios que nasceram na paulicéia. O que é de Vegas, fica em Vegas. O que é do Rio se espalha, e o que é de São Paulo se alaga. E tudo que chega por aqui recebe um toque de Midas e reluz. A tristeza chegou e se perdeu na praia brincando, a palidez encontrou um corpo exposto ao sol e ali se dourou, a desritmia topou com alguns sujeitos metidos a malandro e deu bossa; a pedra do caminho, ah, essa pedra não foi retirada, foi chutada e deu-se o futebol e a doce fruta amarela ganhou novas cores e se refundou em verde e rosa, e um suco danado de bom pra se beber que alivia os pesares.
E se ri de tudo, e se ri para tudo, e se rir é o melhor remédio, então eu sou todo Rio, sou todo Riso, eu rio da piada anedota mal contada, da fila do banco, do atraso na repartição, da esquina, do pivete, da gilete, da manchete, da requete, da vedete, da Ivonete, do seu patinete, do doente, penitente, do tenente, do resistente. E Rio é pra tudo, Rio é pra todos!
E outra vez!
E você achava que tudo o que eu havia dito era simplesmente por você, e tudo o que eu sentia era simplesmente por você, e tudo o que eu fazia era tudo por você, e as loucuras que eu permitia eram todas por você, e as aventuras não vividas era tudo por você... Você pensava isso sinceramente?
E daquele amor que um dia lhe falei, metade dele era meu e a outra metade eu te emprestei; você não quis, peguei de volta! E ainda me diz que a palavra “amor” é forte demais para ser dita ao vento... como se houvesse momento mais propício para se amar do que esse momento em que vivemos; passado isso não haverá mais amor; ame agora e diga isso agora! Tua espera é ilusória e frívola.
Maior ilusão que tua idéia de amor é pensar, cogitar, intencionar que o tudo por você que fiz era unicamente por tua causa. Não advogo para outro que não seja eu mesmo. Nisso sou egoísta e narcisista. A única imagem que vejo no espelho é a minha. Portanto não pense que minhas idas e vindas foram somente pelo prazer da tua presença; de fato ela alegrou meus dias até que o crepúsculo surgiu no horizonte. A noite recaiu sobre nós, sobre mim... Enquanto alguns pranteiam pela escuridão eu me regozijo em ver as estrelas e lançar sobre elas aquilo tudo que há de bom em mim. A cada brilho, a cada descoberta, a cada manhã me alegro mais e mais por saber que o tudo que fiz foi nada, foi pouco. Meu muito é demais para você; te assoberba!
E outra vez e mais uma vez e tantas vezes quanto forem necessárias repetirei os mesmos atos até que o minha equação se resolva plenamente na intenção de ser mais do que qualquer pessoa pudesse imaginar.
E não te preocupes; sei que não se porá em pensamentos! Estarei bem melhor sem você, sou muito melhor sem você, quero muito mais do que apenas você. Para mim outra vez ainda não é o bastante! Eu quero tudo... O nada não me importa; Nada não é!
E se me encontrar repare bem em mim, veja como minhas feições mudaram, perceba como voltou meu encanto, minha jovialidade, meu abuso. Olhe bem, mas só olhe... Sou um brinquedo caro e você vai continuar sendo uma criança pobre! Talvez o seu futuro seja ao lado do governo, da situação, rogando que lhe concedam uma assistência digna dos que se irmanam a você.
E embora o tudo, estou em obrigação de agradecer pelo nada! Obrigado! Muito obrigado e siga em frente!
CONCRETUD.E.TERNA
Aprendi neste ultimo final de semana que o ser humano é um individuo depende de outros indivíduos que podem ser ou não de sua mesma espécie, mas que invariavelmente deverá compartilhar com ele o poder das vibrações; se as vibrações forem externadas em cadeias de carbono, melhor ainda.
Precisamos da intervenção de outros seres para que nos mantenhamos eternos. É a influência que o outro nos provoca que faz nossa vida ter sentido e ter lugar no espaço.
Embora alguns possam pensar que existe loucura no que digo, e não me importa tanto o que possam pensar, digo afirmativamente que existem duas vidas em nossas vidas as quais darei o nome de vida “Y” e vida “X”. Essas vidas estão acessíveis a todos os que as buscarem embora nem todos as alcancem.
A vida X é a que todos conhecemos naturalmente como vida terrena; é a existência. E podemos defini-la como sendo o momento no espaço-tempo compreendido entre o surgimento e desaparecimento de determinado individuo neste eixo X. Como a própria física quântica defende, hoje creio que somos seres tão eternos quanto à eternidade, contudo estamos numa realidade 2D ainda. Precisamos evoluir e sair dos caminhos de esquerda e direita, para frente e para trás. Precisamos começar a subir e descer em nossa existência e aproveitar o máximo que pudermos. E aproveitar o máximo é diferente de aproveitar ao máximo. O primeiro caso é para os “too much”, para um tipo de gente que vive na extremidade da vida, que superlativa sua existência e as eleva às potências incalculáveis. Para elas há o perigo do extermínio precoce já que uma das leis que rege a natureza é a lei do caos harmônico, porque até mesmo na harmonia habita uma pitada de caos, de choque real, que possibilita a convivência relativamente pacifica dos seres e quando surge alguém que interfere com mais força nessas forças, a vida se encarrega de quem as faz e se descarrega delas na eternidade. Eis a pacificidade que nos é obrigada.
No eixo “Y” da existência está tudo o que podemos considerar como sendo os insumos à vida. Lá estão escritos os princípios e fins de como utilizarmos a vida, afinal ela é um produto à nossa disposição e por isso levamos da vida a vida que levamos. E apenas isso e por tudo isso é que seremos lembrados pelo restante da eterna eternidade. AH, como seria bom se todos pudessem compreender a importância deste eixo mais que o da existência temporal. É nele que eu quero estar e estarei e sempre estive.
É por ele que aprendemos que somos a existência copiada do Deus não-criado, eternos em nós mesmos e finitos em nossas influências, por isso a vida se fez tão presente, não temporalmente, mas presenteada, exatamente por podermos influir em todos os outros indivíduos a nossa volta.
Descarte diz que pensarmos é a razão de existirmos, se, porém fizermos um experimento de colocar um homem em uma sala escura, sem luz, som, cheiro, textura, certamente este homem perecerá. Precisamos interagir e sermos influenciados pelo ambiente para que possamos viver. Quanto mais vivemos mais interagimos, quanto mais interagimos mais nos mantemos vivos, quanto mais isolados mais mortos. E precisamos sair do circulo vicioso da espiral na qual nos metemos todos os dias. É preciso nos elevar ao super-homem.
É necessário pensar para existir, é necessário influenciar para pensar, é necessário fraquejar para ganhar forças. É necessário beber da fonte eixo Y.
Então me pego pensando em como eu quero tanto e não posso quase nada, aliás, eu quero tanto e não me permito quase nada; poder eu tenho e posso. Quero o que quero, mas os quero na medida do que me caiba. E esse caber é um chato que não me deixa sossegar a alma e que fica constantemente me colocando no tribunal da minha mente a julgar tudo e todos, a comparar e analisar e quantificar e qualificar e descartar e reduzir. E não chego a fim algum. E me sinto frustrado com esse todo que agora é nada; é apenas vislumbre de algo que um dia poderia ser não fosse o fato da chatice da preponderância finda em si. Em Sí bemol sustenido.
E busco, e procuro, e preservo, e desperdiço, e arrisco, e me mato, e me morro, e vivo, e vivo, e vivo...
É preciso entender a existência do meu querer. Quero o que quero ou quero o que me parece? Quero o fato ou a foto? Quando estou querendo, estou no sentido do querer ou no sentido da querência? Quero o principio, o meio ou o fim? O que querer, o que buscar, o que procurar, o que precisar, o que intencionar, a quem se apegar...
A quem...
Aquém...
A Revolta dos Rios
AS CORES DO GALO CANTA
Certas vicissitudes, certas possibilidades, certas obrigações. Há tantas obrigações, há tantas certezas.
Quando se dispõe a viver as maravilhosas brisas da vida é como se você não estivesse mais no controle da vida, mas sim é como se você mesmo fosse a própria vida e o destino encarnado, não daquela forma metafísica em que se incorpora uma certa personalidade ou divindidade e se adquire suas características; estou dizendo que você se torna o próprio destino. Você escreve, você se delimita, você se diz os caminhos a seguir, os passos seguintes da busca e essa busca não tem objetivo certo.
É, eu sei que sempre levantei a bandeira contra a não-objetividade na vida, porém é uma questão não apenas de escolha mas de dosagem. Sabe aquela diferença entre remédio e veneno? É disso que estou falando. É se colocar nos braços do vento e dizer levai-me!
É sair sem rumo, sem destino, sem paradeiro, sem lugar, sem porto, sem parada. É apenas ir aceitando todas as coisas e receber os presentes que a vida nos oferecer. É a dádiva de estar vivo e de se saber alguém feliz.
Desde que recebi a oportunidade de estar livre e solto decidi que me abriria às possibilidades todas e quaisquer que pudesse me acontecer. E dito e feito. Tem sido assim desde que comecei a correr pelas beiras do caminho, não quero mais “in front”. I will stay behind the scenes! Assim é bem melhor de se viver. Passar despercebido de tudo e de todos. É chegar junto nas horas necessárias e só se revelar quando necessário. É viver no eterno lusco-fusco que certamente não será eterno posto que a eternidade é um estado de espírito por isso sou eterno! O eterno é o quanto dura.
O sol daqui me faz bem, o calor daqui me faz bem, o ruim daqui me faz bem, o fedor daqui me faz bem... É aqui que estou bem, é aqui que tudo é bom, tudo é bem.
Não conhecer este lugar é não conhecer os prazeres reais da vida. É não se reconhecer. O melhor ainda é quando você não se prende, não se reclusa, não se impõe nada além do bem viver e com prazer.
De fato tento entender algumas coisas, mas ainda não consigo externá-las por completo. Muitas coisas que vivenciei não registrei por ter a intenção de mantê-las comigo em sentimento, para recordá-los em memória.