5.10.2009

De que adianta ter todo esse poder, esse jeito, se eu não tenho você?
Mesmo querendo as outras não é possível me afastar. É porque tudo me faz lembrar você: aquele samba gostoso, aquele bolo com cobertura, aquela média, aquele pão com queijo branco, o suquinho de laranja.
É como se eu estive em um transe profundo do qual não consigo ou não posso, talvez nem mesmo queira dele sair. Mas sei que o que temos ou tivemos não foi um sonho bobo; foi muito mais, foi um ferro quente que me marcou a alma com o teu nome. Não quero com isso dizer que sou teu, tu sabes bem que sou do mundo, me criei nas garras do vento, porém decidi e escolhi ter a você e não a outros ou outras por aí. Meu caminho tem que me levar de volta pra você. Quero ajustar minha vela, abrumar o barco pra algum ancoradouro teu.
Não conseguiria pensar em outra coisa, em outra situação que não fosse você. Pode chamar de loucura, do que quer que seja, mas mesmo quando você está lá no seu lugar quieta e calada, eu continuarei velando por você, buscando por você, querendo você.
Pode não me querer. Eu deixo. É direito teu. O amor que te tenho é tamanha que não cabe em um apenas possuir; é preciso te ver andar por ai, balançando o corpo ao som e bel prazer. É te querer e te deixar se ter.
Te quero tanto que te quero livre.
Vai meu pássaro, minha pétala, voa por ai, espalha teu cheiro, teu charme, teu gosto. Enquanto isso eu continuarei torcendo para que teu ninho seja o peito meu e teu campo seja eu.

5.05.2009

O Thiago e eu fomos à padaria logo na saída da boate para comermos alguma coisa. Dançamos tanto e ficamos cansados e por eu ter tomado algumas tequilas, vodca e outras coisas com o estomago vazio, sinceramente eu precisava comer algo para minimizar os efeitos da bebida.
Chegamos e já havia três caras na fila. Eles ficaram nos olhando e um especialmente me encarava. Ele era branco, devia ter um metro e setenta e dois de altura, era magro, usava um colete forrado com um gorro de pele artificial. Seu rosto não era muito angular o que não inspirava maiores olhares de minha parte afinal o assemelhava muito à figura de fragilidade ao invés de tê-lo na intenção da proteção e do cuidador.
Trocávamos alguns olhares furtivos e muito embora o flerte me ponha em fogo puro eu preferia evitar a continuidade do contato porque o tal cara poderia interpretar isso como uma intenção positiva da minha parte e não era bem assim; eu tinha muito mais curiosidade que interesse; sou voyer por natureza.
Thiago e eu continuamos a conversar, mas não me lembro agora sobre o que falávamos e de fato não irei lembrar porque tudo me foi apagado da mente e levado por aquele rapaz. Que homem era aquele, meu Deus! Loiro do jeito que eu gosto, olhos levemente puxados inspirando certa sagacidade, braços e pernas fortes, as forças que eu precisava. Me encabulo de dizer que não pude tirar os olhos daquelas pernas e... oh my! A cada movimento seu eu me punha em completo descontrole, já não sabia como reagir a qualquer estimulo que fosse. O tal outro cara continuava me encarando e a essa hora eu já me perguntava se ele havia percebido meu total interesse no outro, seu igual.
O meu gato estava acompanhado de mais dois caras, feios, tadinhos! Mas sempre é assim, a beleza só existe na presença da feiúra. Eles continuaram a conversar e eu me roendo de vontade de participar daquela conversa. Ele trocou alguns olhares comigo; não tinha como não fazer, eu estive como um animal sob a presa. Ele era minha presa, minha posse, era tudo meu.
De repente me bate um arrependimento de ter feito todas as coisas que fiz com o Tárcio, por tê-lo deixado, por tê-lo traído, por ter me enganado. Mas eu superarei isso e me libertarei para novamente viver a beleza da paixão, a beleza de estar eternamente nas garras da inspiração.
Eu fiquei totalmente sem palavras, ele me deixou totalmente sem palavras. Roubou tudo o que eu tinha: o sossego, a paz, a tranqüilidade. Me pôs em total estado de animosidade e descontrole. Me deixou na vontade de me atirar sobre seu corpo e me lambusar no suor, no cheiro, na textura. Agarrá-lo com todos os braços que eu pudesse e beijá-lo muito, e sugá-lo até a ultima gota.
Antes eu já havia estado em situação bastante positiva. Na boate um rapaz passou por mim; um sorriso ardente apareceu e não me roguei e lhe retribui. Continuei andando, fui dar uma volta para sondar o ambiente e caçar meus pretendes da noite. Só queria um pouco de diversão, uma companhia ou qualquer entretenimento que fosse. Dei as minhas voltas, vi e também me viram; qualquer que estivesse na mesma vibração que eu certamente se colocaria em meu encalço.
Voltei para a pista principal e o encontrei novamente, agora com uma garota abraçada a ele. Pensei no quão maluco e ordinário seria ele ao ter sorrido daquela forma para mim na escada. Mas homens são assim mesmo, correspondem na cabeça da cima as intenções das outras cabeças que lhes regem a vida.
Ele dançava próximo a mim e parecia não tomar conhecimento da minha presença ou ao menos me parecia não querer demonstrar que havia me notado. A noite corria deliciosa ao seu ápice. Ao que ele segurou a mão da menina e a puxou e me inquiriu no olhar. Respondi com os braços abertos como se dissesse que algo estava faltando. Ele pediu um momento para as pessoas que o acompanhavam inclusive a garota e veio ao meu encontro. Se aproximou do meu ouvido, passou a mão em torna da minha cintura e disse com vontade que o beijo que eu queria ainda seria meu até o final daquela noite. Mas eu não iria esperar até o final da noite, até porque não tenho a noite toda à sua disposição. O agarrei e lhe beijei, e perdi o juízo. Sem vergonha nenhuma enlacei sua boca e o consumia entre os lábios e deslizava língua e corpo. O mundo parou e eu beijava e me enlouquecia. Já não escutava o DJ, não havia ninguém além dele e eu, só depois fui lembrar que ele estava acompanhado, e a garota... Fodam-se todos! Ele era o meu momento, o meu mundo e era tudo só aqueles instantes, aqueles beijos, aquele calor.
Que beijo! Que boca! Foi só o que ele disse antes de sair e soltar minha mão e meu corpo. E deixei ele ir. Não era meu, não deveria ser, era um objeto de arte caro demais e eu não teria como garantir sua segurança. Era demais para mim. E eu sou muito muito para ele.
E voltei para casa; o Tiago me deixou aqui. Voltei e deitei , e arranquei toda a roupa e senti a cama pulsar em meu corpo enquanto um me beijava e o outro me olhava. Assim dormi, com ambos em meus pensamentos, sentindo o calor de um e querendo as veias de outro. Só me restou Morfeu.
Agora, pensando melhor, creio que sonhei um sonho maluco, louco e gostoso. E corro o risco de me viciar nele, neles, nisso!