3.23.2009

O AVIÃO
De onde moro vejo diariamente aqueles modelos grandes e sempre lotados de pessoas que vão e vem de lugares distantes e alguns mais perto e fico sonhando, pensando na beleza de poder ver tudo de cima, de estar tão longe desse chão duro e poeirento e poder tocar o céu, o doce algodão de nuvens informes e disformes que se reformar na imaginação dessa cabeça maluca. A paz que sinto ao ver um desses morcegos prateados é tamanha! Sem medidas! É como se os meus olhos pudessem abraçar e serem abraçados na envergadura de suas asas. E vejo a ponte imaginária que nos liga a qualquer lugar que se quiser. Nos liga deste nosso nada com aquele lugar nenhum onde tudo é perfeito, onde a humanidade é perfeita e evoluída.É tão bom vê-los passar, vê-los voar, levando consigo meus sonhos, meus pensamentos, minhas realizações, minhas construções e quando voltam lançam aqui em casa um pára-quedas preso a uma caixa de madeira cujo conteúdo é o insumo para meus novos devaneios, minhas aspirações e tantos outros desejos.
DO Receio
Quando a gente estava em solo ainda, eu fiquei um pouco receoso do que seria de mim, do que passaria comigo em suas entranhas. Será que me acostumaria aos remelexos e sacolejos? O medo realmente me vinha beijar, mas o recusei qual noiva recusa a corte de um cavalheiro que não seja o seu tão bem amado e prometido.Dane-se se vai tremer, urrar, vibrar ou qualquer coisa. Cão que ladra não morde!
DO Anseio
A gente parado na fila a espera da nossa vez. Deixei que tudo seguisse seu rumo natural. Não havia planeja absolutamente nada até mesmo porque não havia planos, não havia conhecimento, qualquer coisa que sucedesse seria novidade. Acostumei-me à imprevisibilidade dos fatos. Era tão bom ser pego de surpresa pela vida e receber aquilo tudo que me fosse de merecimento.Não me preocupava muito com o destino a seguir, mas sim com como eu encararia o que estivesse por vir. Como seriam as benesses? Eu sabia, tinha certeza judicial de que me viriam coisas boas e muito agradáveis; era nestas ondas que eu estava vibrando há dias. Não teria como ser diferente meu destino.
DA Surpresa
Todo o novo se descortinou, se mostrou, se abriu, se prostituiu me chamando, me lançando olhares, gracejos. Fiz graça de quem se encabula com o galanteio. Não demorou muito para me lançar nos teus braços, nos teus seios, no teu colo, na tua cara. Eu disse: “vem, que sou todo teu”. Você me recebeu, me engoliu, me lambeu, me seduziu até que estivesse em suas mãos e a seus pés. E qualquer dor que doesse em você me sairia pela culatra do prazer. Beberia do teu vinho, amargo que fosse, vinagre que se fizesse. Água pura, vida madura, fruta no pé. Eu estava todo pronto para você e para tudo o que, e seja o que for, que viesse me entregar. Eu estava pronto para te receber.E me mandou andar, me ordenou desde o primeiro momento que saísse do meu lugar e fosse ao teu encontro; obedeci, afinal você estava em casa e eu era a tua visita. Não seria agradável de minha parte te fazer sair do teu conforto, aliás hoje penso que foi aí que começou nosso erro.
DO Encontro
Quantos beijos, quantos abraços, quantos amores, quantos gemidos, quantos suores, quanta volúpia, quanto desejo, quanta sede, quanto sol, quanto brilho, quanto tudo. Foi demais, foi grande demais, foi do tamanho das distancias.E como foi tão igual te encontrar, como foi maluco, como foi mágico encontrar em você uma certa irmandade entre nossas almas que só depois de algum tempo descobriríamos serem tão diferentes e distintas.E não teria como recusar teu pedido para ficar um pouco mais, para passar ali contigo o pôr e o nascer do sol. E o que eu queria era a eternidade dos dias ao teu lado.
DAS Diferenças
E tudo que é igual encontra em si uma diferença; não existe igualdade absoluta. O desejo maior não me deixava... Não nos deixava perceber que éramos iguais nas intenções e diferentes nos meios que nos encaminhavam ao final comum.Você não suportava o fato de estarmos longe, de nos vermos apenas quando o meu senhorio desse permissão. Você, malcriadamente, exigia minha presença diária para aplacar tua tão grande e insaciável sede de amor e atenção. Mesmo eu te entregando o oceano você suava mais e mais e, viciado nessa droga, me fazia buscar tua sede em lugares cada vez mais remotos e longínquos.Eu te via dançar com os feiticeiros, com seus badulaques, seus ritos, suas místicas e me admirava de te ver ladear; ver tuas voltas, seus rodopios, teus suspiros. Como eu era feliz por te ter feliz. Dança minha amada, dança e gira, roda ao som dos cantos, dos quadros, das preces; enlouqueça, entra no teu transe e me encontra e me ponha doido por você.
DAS Promessas
Pediste a benção aos sacerdotes; você me disse que queria a benção de quem mais lhe importava. Te digo que o queria era de fato a aprovação de quem, sabia você, jamais entregaria o teu desejo, jamais aprovaria nossas realidades distintas.Para você era tudo muito fácil, era tudo mamão com açúcar. Me fez entrar na sua corte, me fez te servir pessoalmente, me colocou nos melhores postos, já não me deixava junto aos outros serviçais. Me fazia desfrutar dos teus obséquios e eu te amava cada dia mais e já não me lembrava da minha lama, da minha raiz, da minha terra, da minha cerne. Eu queria ser qualquer coisa que desejasse para mim. E fui tudo ou quase tudo. Só não fui o que não deu, o que não aprendi a ser.E então cai em desgraça, comecei a ser preterido talvez devido aos comentários que lhe fazia na intimidade. O que lhe segredava poderia soar como horrores de guerra. Já não era mais o anjo barroco que me alcunhara. A cada dia deixava de ser alvo de seus olhares, de seus suores. Os suspiros que desejavam começaram a se enfadar e tornavam-se bufos e uivos. Desviava-se de mim como um rato que desvia da ratoeira, como se eu fosse te prender ou te ferir; talvez fosse isso mesmo que pensava de mim.
DA Ira e Raiva
Como odeio o que te entreguei, o que te dei. Na verdade tenho raiva de ter te entregado a única coisa que eu tinha. Penhorei na tua casa os meus sentimentos e perdi. Fui à banca rota. Dizem por ai que em breve serei leiloado. Mas já estou vendido!Tenho raiva dos meus desejos, dos planos que tracei confiante de que tudo aquilo que me havia dito, era eterno e verdadeiro. Mudou! O eterno acabou! Raiva da vida que mudei, dos amigos que deixei, dos pensamentos que apaguei, dos prazeres que degenerei, das vidas que deixei para trás. Raiva de fazer tudo certo e errar a praia; nadei para uma ilha remota e acabei sozinho no paraíso.Do que me adianta a riqueza se não houver alguém a lhe invejar, do que me adianta a beleza se não houver alguém a admirar, do que me adiantam as promessas se não se tem por quem as cumprir. De que me adianta ir adiante se o futuro já ficou para trás?Raiva de minha retidão, de minha correção, de minha moralidade...Amor da minha superação
DO Novo Amor
Mas a tempestade trouxe a água que o solo árido precisava para renascer e brotar com força e vigor. Tuas águas regaram, tuas sementes germinaram.Superei meu velho homem, minhas cadeias já não me prendem, seus vilões são meus mocinhos e com eles fugirei no cavalo branco que um dia foi teu. Essa é a paga pela promissória que me deu.Amanhã a esta mesma hora estarei longe dos teus olhos e de teus mandados. Amanhã serei o mais livre dos livres, serei meu próprio escritor e dono de mim mesmo. Minha alforria está pronta e sob sua mesa. Não quero que a assine; não preciso que consintas.Sirva-te com o que tiver de melhor, se é que há um melhor. Rogo que haja; seria penoso demais e demasiado humilhante saber que entregaste a teus inimigos as chaves da tua própria residência e fizeste dela tua cela.Enquanto isso eu vôo, qual avião, qual pássaro, qual pensamento... Vôo para longe, bem longe.

3.09.2009


RIO E VOCÊS VERÃO!

Ele me disse que não havia necessidade para tanto; que o que queriam era se livrar de mim de alguma forma que não me machucasse tanto. Não haveria motivo algum para o exílio ao qual me queriam enviar. Consenti então com o Marcelo e disse que me fizesse o favor de assinar o pedido de exílio por algum tempo, apenas para que eu pudesse reconstruir a casa, abrir as janelas, tirar a poeira, mudar os móveis de lugar.

Tomei o papel de suas mãos, li o volume de dias de que dispunha para as obras propostas e comecei a arquitetar tantas outras. Pensava em como aproveitar aqueles dias de certa libertação, o que faria, para onde iria, com quem conversaria, o que ainda teria de ver, de sorver. Eram tantas as perguntas que me peguei fraco das pernas e cambaleante, talvez em função do arrebatamento pela ansiedade.

Cheguei em casa, coloquei um pouco de água para esquentar ao fogo. Uma macarronada ia bem agora. A carne moída já estava pronta, só faltava o molho vermelho com a seleta de legumes. Piquei a cebola, refoguei, o cheirinho de casa de mãe subiu e me refiz das fraquezas. Joguei os ingredientes na panela e os deixei se conhecendo até que todos fossem um. Fui pra sala, liguei a televisão. Um cara havia sido morto, um outro matara a família, a outra foi vitima de erro médico, a crise demitiu milhares, tinha gente morrendo nas avalanches na Turquia... Chega! Alforria para toda essa escravidão noticiada!

Para o quarto levei a mochila e a sacola com os antidepressivos. Separei o que a enfermeira havia dito para guardar resfriado e os que eu deveria tomar de seis em seis horas, os de doze em doze horas e os para combater certos efeitos que poderiam aparecer. Era um coquitel monotóv em cápsulas, todas com o objetivo de me trazerem uma tranqüilidade aparente. Teria sido mais fácil legalizar a canabis então. Mas aí seria uma grande apologia.

Meu pensamento abriu a porta e foi se dirigindo para qualquer lugar. Tomou um rumo pela avenida, fez a curva, pegou a estrada e seguiu rumo a serra. Nos reencontramos e ao nos olharmos percebi a mensagem que me trazia. Eu realmente queria aquilo. Liguei então para a rodoviária e perguntei a que horas sairia o ônibus para o Rio de Janeiro; a atendente me informou tudo o que eu precisaria saber e fez a reserva como eu pedira. Marcamos que eu embarcaria no ônibus da meia-noite e tal. Dito e feito!
Cheguei à rodoviária no horário pretendido. Na verdade cheguei mais cedo que o esperado, mas isso me garantiria maior tempo de ócio a fim de observar os habitantes noturnos do lugar, já que estes eu ainda não tivera a oportunidade de compartilhar a presença, apenas os fiz com os diurnos e vespertinos.

Entreguei o bilhete ao rapaz da companhia. Após as conferências de praxe, tomei assento torcendo para que desta vez eu viesse sozinho para poder dormir enfim e relaxar, na medida do possível já que em poltrona de ônibus de viagem o conforto não é um item primordial tal qual a calibragem dos pneus ou o abastecimento. Seguimos o caminho. Tudo ia transcorrendo muito bem, sem percalços ou demoras. Fizemos a parada como de costume, aproveitei para reabastecer o organismo com lactobacilos vivos, alias atualmente fui incentivado pelo Luiz a comer coisas vivas, mas isso eu explico outra hora para não causar maior confusão do que o que esse comentário já surtiu.
A viagem foi rumando a seu fim aos trancos e barrancos, roncos e buzinas.

Paulatinamente chegando a seu destino, cariocamente rebolando entre as mamilonares, mulatasatanicamente se perdia nas curvas das coxas das encostas, nos dorsos das serras, no dois pra lá dois pra cá do caminho. O estampido forte do surdo já se fazia ouvir antes mesmo de se chegar à velha cap. Na baixada os primeiros repiques soaram, as caixas de marcação deram seus gritos e um a um foram chegando os pertences dessa feijoada. A morena cedeu o sonar de suas sandálias ao asfalto e o término da viagem foi um verdadeiro desfile na Marquês de Sapucaí, sons e mais sons, ritmados e cadenciados fazendo vibrar corpo, mente, alma e coração. E não havia quem ficasse parado.

Pensei em ir a Copacabana com o 127, mas eu realmente estava muito cansado da viagem. Sambar por horas cansa, a quem canta e a quem dança. Segui no amarelinho via túnel Santa Bárbara. Poderia ter feito o caminho da poesia: Infante Henrique, Nações Unidas, Atlântica, Barata Ribeiro, ter parado em algum quiosque, tomar um refresco e me entregar a arte de observar e nada fazer, apenas fiscalizar a natureza que em sua perfeita ordem dá ordens aos ventos que sobrem, ao sol que ensolare, ao mar que marole, e à brisa que me abrace. Ah, como é bom fiscalizar. E se algo sai dos trilhos, a multa é um dia de nuvens escuras, céu carrancudo, singrando o azul casado.

Cheguei de fininho, não deixei que mar e praia percebessem minha presença. Queria ver as ondas da surpresa. O dia se finda e ainda não dei as caras para o mundo. Por enquanto estou me fazendo a graça de esconder o que tantos querem ver e outros querem ter; penso em só a revelar no momento propício; talvez nós saiamos a passear amanhã à beiramar. Só para estivar as canelas.

E não há como trazer para cá os augúrios que nasceram na paulicéia. O que é de Vegas, fica em Vegas. O que é do Rio se espalha, e o que é de São Paulo se alaga. E tudo que chega por aqui recebe um toque de Midas e reluz. A tristeza chegou e se perdeu na praia brincando, a palidez encontrou um corpo exposto ao sol e ali se dourou, a desritmia topou com alguns sujeitos metidos a malandro e deu bossa; a pedra do caminho, ah, essa pedra não foi retirada, foi chutada e deu-se o futebol e a doce fruta amarela ganhou novas cores e se refundou em verde e rosa, e um suco danado de bom pra se beber que alivia os pesares.

E se ri de tudo, e se ri para tudo, e se rir é o melhor remédio, então eu sou todo Rio, sou todo Riso, eu rio da piada anedota mal contada, da fila do banco, do atraso na repartição, da esquina, do pivete, da gilete, da manchete, da requete, da vedete, da Ivonete, do seu patinete, do doente, penitente, do tenente, do resistente. E Rio é pra tudo, Rio é pra todos!

3.07.2009

7 VEZES AMOR

Eu havia ligado para ela para dizer que estava com saudade e que o tempo estava sendo nosso carrasco.

Ela me disse que não se sentia bem, que estava com um pouco de dor de cabeça e tal. Propus-me a ir encontrá-la e dar um pouco de atenção, carinho e cuidado. Certamente a dor seria dividida e assim se aliviaria. Ela aceitou.

Peguei o ultimo vôo disponível, o qual teve alguns minutos de atraso no embarque que logo foi feito e o atraso foi minimizado pelo comandante que colocou o avião na potência máxima em direção ao oceano. E lá fomos nós.

Tudo transcorria normalmente, inclusive o sono que me batia por ter acordado mais cedo que o usual naquele dia. Tentei me aconchegar na poltrona do avião; reclinei-a para ter uma melhor visão do céu noturno e apreciar as luzes das cidades em nossa rota. Fui atendido em minhas preces de viajar sozinho, sem ninguém nas duas poltronas ao lado da minha; e por isso mesmo escolhi a terceira fileira de poltronas.

Lá embaixo as luzinhas iam se acendendo e apagando conforme nosso avanço. Logo o serviço de bordo foi dispensado a todos os passageiros e recebi também eu minha porção, ou melhor, minha ração. Era um lanche salgado demais, pior que pimenta malagueta. Aceitei também o suco oferecido a fim de aplacar a sede descomunal provocada pelo lanche hipertenso.

Chegada com sucesso e algum cansaço a mais, me encaminhei para a área dos táxis. Pulei dentro de um dos que estavam parados e passei o endereço. O motorista colocou um DVD para me entreter enquanto meu destino final não chegava. Ali fiquei pensando numa porção de coisas interessantes buscando aliviar a ansiedade que sempre me vinha nos instantes antes de encontrá-la. O motorista ia desempenhando muito bem seu papel de chofer e de conversador, me fazendo dar algumas boas risadas com suas histórias pitorescas e singularmente comuns.

O telefone tocava sem parar e ninguém o atendia. Minha ansiedade ia aumentando. Subi ao apartamento e a ansiedade se manifestou fisicamente em contorções e cólicas abdominais. Ela não atendia à porta. Eu apertava a campainha reiteradamente e nenhuma resposta. Cada vez mais eu ficava com os nervos aflorados por vislumbrar a possibilidade de ter que ir para um hotel já que ela não atenderia ao chamado da porta.

Desci até a portaria do prédio e pedi que tocassem o interfone embora o avançado da hora. Já eram duas e meia da manhã. Talvez o barulho do interfone pudesse atrapalhar algum vizinho e me sentiria extremamente encabulado se isso de fato sucedesse.

Uma voz atendeu aos chamados, mas não era a dela. Uma amiga disse que ela não estava no apartamento; que havia saído há pouco tempo e logo voltaria. Perguntei se poderia subir a aguardar seu retorno, dado o horário.

Logo ela chegou e não agüentei a pressão de todos os fatos e comecei a desabafar uma série de coisas. Sei que para ela seria um alimento sólido demais. Ela ainda estava na sopa. Mas não me importei muito com a indigestão da conversa; preocupei-me mais em justificar algumas ações e mostrar outras coisas que possivelmente seriam importantes entender.

A discussão se seguiu por um longo período. Ela não fazia questão de trazer maiores argumentos para a conversa. Simplesmente tomava uma posição de guarda e silenciava qualquer manifestação, fosse de emoção ou qualquer outra coisa que demonstrasse seus sentimentos frente ao dito.

Quando se pronunciou foi apenas para dizer que precisava de um tempo para pensar em nosso relacionamento. Ela estava confusa se a distância seria algo com a qual pudesse lidar com tranqüilidade; e as nossas diferenças que se apresentavam com força. Disse que seria importante para nós, termos um tempo para refletir sobre o conjunto da obra.

Se alguém ali estava em duvida sobre algo, certamente era ela e não eu. Eu sabia muito bem o que queria e minhas intenções desde o momento que dei inicio ao nosso relacionamento. Mas ela preferiu se esconder atrás das escusas, a enfrentar e confrontar as verdades ou mesmo expô-las. Inconformei-me com a posição em que se punha. Minha vontade era entrar em sua cabeça e desnudar seus pensamentos para extrair o sumo que precisava para entender o que estava acontencendo; se fora algo que fiz ou uma decisão premeditada sua.

A situação ficou insustentável; não havia mais ambiente para que ficássemos no mesmo lugar. Mais outra vez fui posto para fora da minha zona de conforto embora houvesse aberto mão de estar nela por amar demais e querer ver a felicidade dela desmedidamente da minha. Ela jogou tudo fora.

Percorri mais de seissentos quilômetros e ela jogou fora; abri mão de algumas posições e pensamentos e ela simplesmente preferiu seguir seu rumo, o que aliás foi uma decisão saudável e acertada; burro fui eu de ter me anulado em função de outro alguém. Burro não! Eu amei e amar não é burrice, amar é dar a liberdade que se quer e se resignar com a decisão tomada pelo outro. Amar foi meu carro desgovernado. Bati de frente em um poste mas o sinto me segurou.

Não posso dizer que estou ileso, mas os arranhões foram poucos e, sangramento, nenhum. Só alguns hematomas e luxações, mas a água fria, o gelo e o sono darão conta do recado.
Estou pronto para uma próxima viagem, uma próxima porta, um próximo táxi, um próximo sentimento, um próximo alguém... estou pronto e querendo um novo amor.