1.22.2008

CARTA A HEFÉSTION

Alexandria, 22 de Janeiro

Meu caro Heféstion, quantas saudades!

Lhe escrevo estas humildes linhas para dar cabo das discussões que se instalaram neste nosso império. Hoje pela manhã me ocorreu a resposta que buscávamos. Digo ocorreu? Em verdade passou por mim quando voltava dos exercícios da manhã. Fora a menina-fada de quem falavam os vindos do Norte. Segundo eles, pelas bandas das terras ao Norte de Hella há um povoado de homens cuja cor da pele é tão alva quanto a espuma do mar de Netuno; suas mulheres são semelhantes à imagem de Vênus tal qual a conhecemos, ou imaginamos, com seus cabelos cor de fogo, pele de um branco rosado como que se saída a pouco de horas de amor com algum apaixonado.

Ah, Heféstion! Quantas saudades me rondaram naquele momento. Lembrei de quando éramos crianças e aquela mesma menina-fada nos via brincando em suas posses e ainda assim se comprazia naquela balburdia infantil. Não era como os outros que só nos repreendiam, nos castigavam; antes Aristóteles tivesse tomado aulas com essa pequena, pois nunca encontrei afetos gratuitos como os que tinha a oferecer a ruiva do norte. A cada sorriso seu era como se o dia se enchesse com mais sol, como se o vento forte tornasse uma brisa macia e perfumada com os ares de olíbano... Ah, Heféstion! Quanto amor! Nunca ouvi sair de sua boca um "Não" desmedido e injusto. Lembra-se?

Essa saudade me arremata, pois ainda ontem fui obrigado a açoitar uma mãe. A tal não tinha modos de educar o filho, se usava de palavras injuriosas e como se estivesse tomada por algo além da vida que conhecemos ia ditando aos filhos o que deviam fazer aqui e acolá. Disse a um deles num momento de fúria que se não fizesse o serviço direito amarraria o pinto do garoto na porta e esticá-lo até que ... Meu caro, o que está acontecendo com esse povo?

Apesar que ... Me rio com os desejos dessa gente. Ah, se tivesses conhecido Freud, uhhh, quantos males teria evitado. As meninas andam por aí com certas roupas. Zeus é justo, mas a roupa dessas meninas! Uau! Não sei se são filhas do Demo, do Capeta, Do Asmodeu, Do sete-pele, do Coisa-Ruim, do Tinhoso... Aqueles devem ser capetinhas em forma de mulher, passam suas curvas na frente dos soldados e pronto, tá feita a merda! Tu ja viu, Heféstion, soldado ficar quieto em frente à moça tinhosa? A baioneta em riste dentro das calças. Até o pessoal da construção perde o tempo do samba. É de matar mesmo. Ah meu caro, ando com medo que uma dessas me faça perder o juízo. Tu sabes que se me jogar numa cama não saio enquanto não me sentir satisfeito e, oh desejo bom, eu vou pra cima e dá-lhe pressão na danada.

Quanto a você, espero que esteja preparando bem os pajens, preparando para o serviço da guarda. Por favor, contenha-se de levá-los em casa. Soube que tu ta fazendo a rápa na rapaziada! Heféstion, por favor! Tá certo que teu prazer é outro, mas güenta as ponta ae irmão! Tá foda! Tão falando que você anda por ai de armadura, entende? Arma Dura! Só na guerra das espadas. Porra, Heféstion! Nem te mando tomar no cú, por que isso me parece te desejar felicidade, afinal é o que você mais tem feito, não é? Me desculpa, é do caralho o que tá acontecendo. Os Sátrapas estão perdendo a confiança no governo. Logo, logo me aparece algum esquerdista querendo revolução, aí já viu. É Chaves, Lula, Uribe, Ahmadinejad pipocando pra tudo que é lado. E o Status Quo? Brother segura o tesão aí, beleza? Se tiver muito na sede, corre pro banho do turco e bate uma punheta lá, mas deixa os pajéns na deles. Não basta o viadinho que matou o pai do Alexandre, lembra? Tudo por que o pai dele comeu o tal cara e o namoradinho ficou com ciúmes. Bom, é isso! Enquanto to eu aqui, tá você aí!

Ps.: Vê se dá um jeito de fuder alguma boceta e engravidar alguma dessas que te dão banho. Já tão falando que se tu não tiver herdeiro tudo vai se acabar na bala.

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