É fim de ano. Quase toda a cidade se mudou temporariamente para o litoral, deixando os coitados carangueijos em polvorosa dada a invasão que se vê. Pobres bichinhos!É fim de ano, um bando de descamisados furam as filas com calma e paciência e lhe interpelam com furia mortal quando perguntados do motivo por tal "ato"... Eles te olham com olhos de fome, como se fossem avançar e lhe arrancar o couro e todos alí, torrando sob o sol: raiva, sol, suor e cerveja! Que Fim de Ano!
Outros tantos famigerados, ou fami-abortados seria um termo melhor aplicado, ligam seus potentes sons automotivos e Viva a Boa Bunda Balançante Brasileira; é um Ode ao par de glúteos. E seguem eles, orla a dentro, disseminando os convites ao prazer fácil, musical em última análise.
Ahhh, os maiós; maiós toucinhos, recheados de gorduras, afinal beldades só usam maiós nos concursos de beleza. Os trajes de banho que antes eram feitos para cobrir as vergonhas e a nudez, hoje se tornaram apenas um acessório pra deixar uma marquinha de sol, que está em vogua, já que os maiós ganharam status de "segura-carnes". É um tipo de espartilho praiano, fazendo analogia, é como se fosse o amor como descrito na Bíblia: o maió tudo aguenta, tudo espera, tudo suporta, é paciente... e é, invariavelmente, acompanhado de outros itens suínos: presunto e lombinho, que se não estiverem dentro do dito maió, estarão fora, em alguma bolsa térmica Sadia, que uma portadora de maió carrega à tira colo num doce balanço a caminho do mar.
E a cor do Reveillon não é branco ou prata, é vermelho: Vermelho camarão! Um masoquismo de se expôr a queimaduras de 1º ou 2º graus como se isso fosse item de atração sexual. Não sei você, caro leitor, mas não me sinto atraido sexualmente por pele assada: nunca me apaixonei por frangos de padaria, lombinho recheado... Sim, os como, mas com garfo e faca; não os levo para jantar, comprar presentes... Senhores, por favor! Tudo isso para quê?
"Não pega em mim, estou ardendo" É óbvio! O que queria depois de 3 dias em exposição aos raios nocivos do sol a pino? e alguém ainda diz: "Peguei tanto Sol!". Permita-me corrigir-lhe: o sol é que te pegou e te pegou de jeito. De 2 a 3 semanas após esse suplício, em meados das festas pré-carnaval, aquele toucinho começa a descamar, aí é a visão do cão; cão assado subentenda-se. Cada abraço um pedaço de pele gruda em nossos braços. É um tal de pele caindo pelos cantos. Santa Madre!
À parte esses fatos tão corriqueiros da vida de todo bom proletário brasileiro - paulistano - este novo ano há de ser um ano que ficará para a história, evidentemente porque todo ano é história, mas aos que acreditam nas superstições, 2008 é ano 1, inicio de tudo. Já que muita merda aconteceu em 2007, se em 2008 não melhorar, ah eu me mudo de planeta. Mas eu creio que será diferente, eu quero crêr, eu preciso crêr.
Algumas pessoas se espantam em saber que passo, Natal e Reveillon, quietinho em casa; não dou as caras na janela. Tenho supersticões nessa época; teho para mim que o que for feito nos primeiros minutos do ano que se inicia, desencadeará uma série de fatos de igual teor, proporção e circunstâncias ao longo de todo o ano vindouro, por isso me fecho em copas, taças e garfadas e cultivo o introspecção e meditação para começar o novo ano em paz.
Promessas para 2008:
- O Sé vai tomar juízo e se divorciar do general;
- Eu devo casar - minha mãe espera ansiosa;
- Carnaval em Salvador, Sé e eu, para comemorar o divórcio ou a fuga, se for o caso;
- Aniversário de 23 anos e meio, ano que vem faço 25, hehehe, ai meu Deus, to ficando velho!;
- Comprar uma lavadoura de roupas;
- Comprar sofás pra essa casa;
- Comprar mais Vinhos e Cervejas;
- Comprar mais petiscos para acompanhar os vinhos e as cervejas;
- Aumentar 4 quilos neste corpo;
Penso, logo, D-existo!




